domingo, 22 de agosto de 2010

A Hydra!

A Hydra como todos sabem, é um monstro mitológico grego, ao qual coube a Hércules destruir como uma das doze tarefas.

A Hydra tinha várias cabeças, que uma vez decepadas, cresciam novamente!

Seria a Hydra a melhor representação do garotismo? É possível!

Para onde quer que se olhe, a manobra de antecipação das eleições de mesa diretora da Câmara Municipal é um lance típico de regenaração de uma das cabeças degoladas desse fenômeno, que se expressava no mandato da ex-prefeita.

A nova cabeça da Hydra atende pelo nome do prefeito interino, e que se licenciará para tentar a reeleição e retornar ao cargo de prefeito, até que se cumpram as novas eleições suplementares.

Primeira percepção que nos acomete:
Já está dada por resolvida a questão da perda do mandato da ex-prefeita entre os seus e entre opositores!

Despojados do poder, coube as facções do garotismo local, que se digladiam na Câmara, disputarem o banquete dos restos!

No entanto, cientes de que a antropofagia poderia causar estragos irreversíveis, costurou-se o pacto: Façamos a mudança, para que nada mude!

E para quem imagina que esse "acordão" tenha um só beneficiário, engana-se, em nossa rasa opinião! 

Encurralado pela bancada governista, o atual presidente da Casa, Rogério Matoso, resolveu ceder a antecipação das eleições para esvaziar o interesse pela posse do médico-quase-vereador. Uma vez resolvida a questão da eleição da mesa diretora, a questão da posse ou não do médico passa a ser um problema menor, e que poderá ser resolvida com novo acordo, ou empurrada com a "barriga da Justiça"! Afinal, sua posse se destinava a emplacar um nome fiel na prefeitura!

Sem essa possibilidade, o quase-futuro mandato do médico se esvazia, a não ser pela possibilidade, factível, de que o atual bloco governista passe a azucrinar o interinato do primeiro-cunhado!

De todo modo, e em qualquer cenário, a presidência da Casa é lugar estratégico na conjuntura local! Livra-se o atual presidente do Legislativo  do boicote de pauta, e do risco de virar "enfeite legislativo"!

Para o atual presidente da Câmara, o acordo é ótimo, pois esvaziada a pretensão dos garotistas cassados, os pares que imobilizam a pauta da Casa tendem a ceder, e a se reagruparem em torno do novo vértice de poder da prefeitura!

Por outro lado, a atual configuração da Casa favorece o atual prefeito interino, ao menos, pelo tempo que imagina ser necessário para rearranjar os acordos palacianos e o loteamento da prefeitura, a fim de pavimentar sua candidatura como nome "natural" do garotismo!

A tendência é que ou abandonem o médico-quase-vereador a própria sorte, uma vez que um fiel escudeiro do garotismo "de raiz" não interessa a mais ninguém! Rainha posta, rainha morta!

No suposto acordo, o atual presidente interino da Casa de Leis manteria-se na vice-presidência, e por conseqüência, na presidência da mesa, tão logo o prefeito interino reassuma sua cadeira na pmcg!
Ganharia tempo e estofo para trabalhar seu nome junto aos setores da oposição, caso esse seja o interesse de concorrer ao pleito suplementar, ou para sedimentar seu capital político com fiador do "novo prefeito de novo interino", emprestando-lhe apoio até que tanha forças para vôos próprios em 2012.

O que não muda nesse jogo é a essência do modelo que permanece intacto.

Ainda que as cabeças sejam aparentemente diferentes, o corpo é da mesma Hydra!

2 comentários:

Anônimo disse...

Uma boa notícia, enfim, na política brasileira: o ex-BBB Kléber Bambam desistiu por livre e espontânea vontade de concorrer a uma vaga de deputado estadual em São Paulo.

Some-se a isso o veto do TRE-SP à candidatura Adilson Maguila e – não é nada, não é nada – são dois “cacarecos” a menos no Horário Eleitoral Gratuito, que estreia hoje no rádio e na TV.

Bambam e Maguila desfalcam um time de candidatos famosos & bizarros, que já conta em São Paulo com nomes de peso como Tiririca, Vampeta, Netinho, Marcelinho Carioca, mais os rapazes do KLB e a Mulher Pera, entre outros.

O elenco carioca também não fica atrás: tem a Tati Quebra Barraco, a Myrian Rios, o Romário, a Mulher Melão…

Não se faz mais Cacareco como antigamente. Bons tempos aqueles em que, para avacalhar a política vigente, 100 mil paulistanos decidiram votar no rinoceronte do zoológico da cidade para vereador. Foi assim que, em 1959, Cacareco virou marca registrada de voto de protesto.

O problema do voto-cacareco após o advento das urnas eletrônicas é que, em vez de anular a cédula, ele pode eleger Ronaldo Esper deputado federal. Já pensou?!

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Permita-me discordar:

Na Democracia não cabe nenhum tipo de "veto" ou preconceito a quem quer ques seja, porque não haverá nunca um tipo de candidato "iluminado" e "preparado" para atender a todos os anseios de todos os setores.

Assim, um PhD com pós-doutorado em Harvard pode ser tão desastroso como representante quanto um KLB, ou um índio Juruna.

A vontade de se apresentar como alternativa é legítima e deve ser respeitada.

Lembremo-nos que nosso sistema político sempre foi dominado por "preparados", como médicos, advogados, militares de alto coturno, jornalistas sofisticados, empresários , dentre outros.

E o resultado que assistimos em 500 anos de História é lastimável.

Foi necessário um torneiro-mecânico "desqualificado" e semi-analafabeto para colocar o país em seu rumo: distribuição de riqueza e bem estar social, ainda que muita coisa esteja por fazer!

Quem tem que "vetar" candidatura não é o TSE, e sim o eleitor!

E aí, não interessa se o caro é jogador ou fazendeiro, cantorou físico nuclear, o que deve definir sua escolha são os interesses que eles representam!

Perceber isso vai muito além da rejeição preconceituosa!

Um abraço.