quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Nossos bárbaros não voltarão!

Esse é um poema do grego Konstantinos Kafávis. Tive conhecimento ao ler a coluna Pênalti, do Sócrates, o Dr Magrão, na revista Carta Capital de 05 de maio desse ano. Eu relia a revista hoje, e me veio a idéia de postar o poema inteiro.

O texto de Sócrates se referia a outro tema. Mas creio que a associação a necessidade de vencermos nosso imobilismo, ao invés de justificá-lo pela espera dos bárbaros é apropriadíssima, pois vejam a versão que encontrei no blog Anema e Core:

À espera dos bárbaros (Konstantinos Kaváfis)



O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.

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