sexta-feira, 9 de julho de 2010

Por que temos medo do garotismo?

De uma forma ou de outra, esse blogueiro e o pessoal do Outros Campos, que o leitor já percebeu, ousamos compartilhar uma visão semelhante de mundo e da política, fazemos, insistentemente, essa e outras perguntas acerca desse fenômeno de nossa cidade.

Variações dessa pergunta também serviram ao debate: Quem é o garotismo, o que somos perante ele, quem é o público alvo do garotismo, como se comportam as forças políticas dentro do cenário do garotismo, qual é o tempo de maturação, ápice e ocaso do garotismo, como se dará esse processo, e assim por diante!

Os últimos episódios, que aconteceram em nossa cidade, trouxeram ingredientes diferentes, que alteraram uma série de variáveis, mas de toda forma, a principal delas, a intervenção judicial, não é uma novidade estrutural que nos leve a dúvidas importantes, ou seja: Essa era uma alternativa bem factível para todos os que acompanham a poítica local, quer dizer, a possibilidade de um solução extra-política para os conflitos que o próprio garotismo gera em seu interior, como se fosse uma solução extra-dialética, ou uma para-síntese para as suas contradições.

Essa deformidade, a intervenção judicial para-política, nunca foi uma surpresa para todos nós.

Assim, eu pergunto, porque tanto comedimento, tanto medo em sepultar de vez o garotismo quando ele está moribundo e ferido de morte?

Por que tanta "cautela institucional" com um prefeito que simboliza uma das faces mais obscuras do garotismo, aquela que por não gozar de todo seu prestígio e legimtimação entre seus pares, orbita sobre os restos que lhes são jogados, e utiliza essa condição(um tipo de X-9) como passaporte para interlocução com setores adversários, configurando-se assim, como um espécie de escória garotista, de viés oportunista e ambígua, haja vista que nunca será referendada pelos seus pares?

Eu ouso responder:

Acontece que no imaginário das forças políticas dessa cidade(e política é antes de tudo símbolos e "totens"), a morte do garotismo é a morte de si mesmos, na medida que incorporaram toda a gênese e práxis garotista em seu ethos, e apenas se enxergam a realidade em lógica binária: Ou se é garotista ou se é antigarotista, que na verdade, funciona como um garotismo de sinal invertido, mas com as mesmas expressões e "modus operandi".

A morte do garotismo seria a perda irremediável de uma referência importante para a casta política que habita e domina a atual conjuntura local. Seria com Tom sem o Jerry, ou Papa-léguas sem o Coiote.

Só isso explica a dubiedade e vacilação dos atores políticos em destroçar os restos mortais insepultos desse movimento poítico que chegou ao seu fim!

Porque os líderes de hoje temem o garotismo, porque, afinal, temem a si mesmos!

Desta forma, eu ouso, novamente, e digo: Já que a oposição é mera cópia piorada, então que fiquemos com o "original", ao menos desse jeito o mundo parece "mais fácil de enxergar e entender"!

Ou então criemos o novo, e esqueçamos de vez essa corja, ou emprestando um termo caro a eles em 89, quando se referiam ao entulho oligárquico coronelista, personalizado em lideranças como ZB, Rockfeller de Lima, Inojosa, dentre outros: varramos do mapa essa curriola!

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