sexta-feira, 9 de julho de 2010

Poeminhas de lama!

Intrépida formosa.

Um viajante
Daqueles que carregam o mundo
Em sua bagagem
Deu por aqui de passagem
E depois de olhar o gentio
Seus costumes
Olhou a geografia
Plana
Enlameada
Dos dois lados
Da margem
Até onde os olhos
Enxergassem a paisagem.

Foi aí que de sopetão
Sufocou-lhe um grito no peito
Que saltou
Bem alto e bem feito:


"Nessa cidade
O único orgulho do campista
É beber cocô de paulista !"

Mas um garoto
Desses que sempre espreitam esse tipo de poema
Falou-lhe na cara
Sem vergonha, nem problema:

-Olha seu moço
Na merda nós já "vive",
E beber cocô dos "paulista",
Pr'á nós "campista"
Nem é a pior maldição
Pois dessa merda bebem
Desde Volta Redonda até na foz de São João
O pior pr'á nós é ser campista
Piada do Oiapoque ao Chuí
Em cada canto da nação:

Campos terra pioneira,
Onde teve luz primeira,
Que já foi espelho da nação!

Mas depois de tanto dinheiro,
A raposa é dona do galinheiro,

O errado virou certo,
O otário ficou esperto,
Nós agora "é" terra de ladrão!


Campos dos Goytacazes, 09.07.2010.
dbm

Nenhum comentário: