sábado, 24 de julho de 2010

O movimento, a oportunidade e os oportunistas!

Ao longo dessa semana, repetimos uma tecla que já está gasta. A necessidade dos partidos políticos encontrarem uma agenda comum para que as questões partidárias se transformem em questões de Estado, e ultrapassem os governos e frutifiquem em ações que beneficiem toda a cidade, e não só parte dela!

Temos uma chance ímpar, embora tenhamos que afastar o fatalismo recorrente. Não há momentos derradeiros, nem revelações. Política é processo, com erros, acertos, idas, vindas, quedas e recomeços.

Nesse caminhar, as verdadeiras chances são aquelas que escolhemos.

Um grupo de pessoas se deu ao trabalho de repercutir a reunião da quarta-feira última, e entre ceticismos e cinismos, colhemos algumas considerações que nos ensinam um pouco do gênero humano.

Há as raposas, para quem as uvas sempre estarão verdes. Não importa o que façamos, eles nunca farão nada, mas sempre dirão que o resultado poderia ser melhor!

Há os parasitas ou oportunistas, que em muito se assemelham às raposas em caráter, mas vão um pouco mais adiante, e são capazes de unir esforços, desde que tenham a certeza de que farão parte do grupo vencedor!

É mais ou menos como chamar um amigo para jogar bola, e antes que se diga onde, quando e as regras do jogo, ele pergunte: Só jogo se Pelé, Garrincha, Romário, Leandro, Júnior, Zico e etc, estiverem. Eles jogarão?
´
Esse é o espírito de boa parte dos críticos do movimento Pró-Campos. Eles não se interessam pela possibilidade de debater e apresentar alternativas para a cidade. Eles querem a certeza de um "resultado", que muito embora, caso sejam perguntados, não saibam muito bem o que fazer caso o consigam.

Mas tudo isso está dentro do previsto, pois não há churrasco sem moscas, nem oportunidade sem oportunistas!

5 comentários:

felixmanhaes disse...

Douglas, meu caro, gostaria de provocar a sua análise, sempre muito cirúrgica acerca dos temas colocados.
Essa dificuldade que movimentos nobres iguais a esse tem para deslanchar, ao seu ver, não estaria na complexidade que o processo eleitoral e a administração partidária se transformaram? Os partidos políticos, aí leia-se os diretórios municipais, por exemplo, na hora de materializar tais projetos teriam a indpendência do proceder, sem o enqudramento regional e nacional, levando-se em consideração que as forças políticas envolvidas na questão local não teriam a mesma sintonia em outros níveis? Temos o caso regional onde o Lindberg abriu mão de um projeto que envolvia o seu nome para o governo do Estado, para atender os ditames de uma aliança nacional que sequer a vice deu para o PT?
Outra indagação: quando o empresário enxerga que, com as incertezas do mercado, investir em candidatos e aproximar-se do cofre oficial é muito mais rentável do que investir na planta de uma indústria e como a sua visão não é social, ele quer o retorno, como se daria a execução de um novo modo de gestão para a cidade?
Ele se conformaria com os lucros normais de um pregão eletrônico sério e transparente, tendo em vista a quantidade de recursos oficiosos investidos?
Como se daria essa pregação, junto à sociedade dessa nova possibilidade de gestão, já que o eleitor, em sua maioria está acostumado com os "convencimentos" de última hora e o que não se entrega a esse convencimento está descrente da política e dos políticos?
Ao seu ver, como fecharia essa conta para acalmar os egos quando da materialização desse projeto via eleições, levando-se em consideração que os grupos mais robustos financeiramente e donos dessa administração vintenária, jamais sentar-se-iam na mesa consolidadora desse movimento e, acostumados ao método infalível da perpetuação no poder, seriam pule de dez na disputa. Ou seja alguns com o discurso e outros com o recurso?
Gostaria de adiantar para o nobre pensador político que tais indagações não se tratam de ceticismo, mas sim trabalhar agora com o que incomoda, sob pena de lá na frente ser elemento desagregador da formatação desse movimento.
Um fraterno abraço

douglas da mata disse...

Caríssimo Félix,

Desde já adianto que quando me referi ao ceticismo, não incluí você dentre os signatários desse sentimento.

Sua crítica tem estofo, sua biografia a sustenta, ao contrário de outros tantos, raposas e parasitas.

Mas vamos ao debate:

Não sei dos outros partidos, mas a forma que o partido escolheu para consubstanciar sua democracia interna, o PED, atendeu a nova conjuntura do Partido, ou seja, com a chegada ao poder, nossos "capas" entenderam que a fórmula representativa que executávamos, com os delegados em convenções, não bastava, e assim, instituíram o voto direto, sob argumento de que isso ampliaria a representatividade das direções.

Nada mais falso, e a realidade revelou-nos que a nossa escolha de dirigentes acabou por assumir os vícios dos outros partidos, e de certa forma, dilui em eleições periódicas boa parte da vida orgânica partidária.

Mas a realidade é fato, e só nos resta tentar reanimar a vida partidária e reaprendermos como fazer política nesse novo cenário.

É essa chance que enxergo com esse movimento pro-Campos. Trazer o debate, ainda que de fora para dentro.

Quanto as diretrizes hierárquicas que submetem projetos locais, para satisfazer as demandas regionais e nacionais, eu não tenho dúvidas: Tem que ser assim, embora eu também afirme: Cada caso se resolve de acordo com o peso político que cada loclidade tem no tabuleiro, ou seja: só nos empurram goela abaixo o que não queremos, porque somos "piada nacional". O RJ sempre foi.
Cabe-nos mudar esse sentido das coisas.

É outra associação que faço com o movimento. Quando a mídia nacional e os nossos dirigentes começaram e ver nosso esforço de unir verntentes ideológicas tão díspares(como bem fez nosso Lula)para fazer algo pela cidade que amamos, sem deixar de ver e respeitar as diferenças, mas trabalhando pelo que nos une, não tenho dúvidas: seremos respeitados como nunca fomos. Resta saber se teremos o tamanho, a estatura que a tarefa exige. E acredito que sim.

Quanto ao financiamento de campanha não devemos nos açodar. Eu não acredito que as coisas são assim e sempre serão.

É claro que a captação de dinheiro e a influência de patrocinadores é um problema, aliás, no mundo inteiro a democracia tenta achar uma fórmula para equilibrar tais vetores.

Mas eu creio na formalização e publicização dessas relações institucionais. No fim da hipocrisia, ou seja: Quer dar dinheiro, dê sem caixa dois e digamos a sociedade que quem dá dinheiro espera obras e um governo que favoreça a atividade do doador. Esse é o primeiro passo para tornar clara essa relação e possibilitar não só o controle, mas antes de tudo: que a populaçãoe scolha o governo pelas suas companhias.

Se os sindicatos e movimentos sociais nos apóiam, junto com pequenos, médios e grandes empresários com visão republicana, é claro que teremos um governo dentro de limites legais.

Agora, se partirmos do princípio que só existe UMA forma de fazer política, e que a política se RESUME às eleições, estamos perdidos.

É claro, comprar votos é bem mais fácil. O difícl é governar depois. É essa a imagem que temos que tranferir a população.

De que adianta 100 mil votoso comprados, que se dissolverão em sentenças judiciais?

Um abraço, e espero ter atendido sua expectativa.

Anônimo disse...

Douglas, estou acompanhando esta articulação de vocês, e acho ótimo este movimento Pró-Campos. Sou um simples cidadão e não sou filiado a nenhum partido, mas acho que um outro grupo político, com caras novas e idéias novas surja nesta planície. Parabéns pela iniciativa e boa sorte!
Júnior.

Anônimo disse...

Esse movimento democrático poderia chamar o professor e blogueiro Roberto Moraes para entrar no debate, ele tem muito a contribuir.

douglas da mata disse...

Caros comentariistas,

Pessoas/quadros como Roberto Moraes não tem que ser convidados. É sua obrigação cívica, se acreditar no propósito, participar dessas ações.

Sempre será bem-vindo.

Ao Júnior,

A política passa por nós, simples cidadãos, filiados ou não! Passa também, é claro pelo fortalecimento dos partidos e da sociedade civil!

Apareça e contribua, gostaríamos de contar com você, na medida de sua disponibilidade, nem mais, nem menos.

Um abraço.