terça-feira, 6 de julho de 2010

A corrupção e a Democracia!

Temos assistido, lido e ouvido, em todos os veículos e através das pessoas que millitam na causa da ex-prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosângela de Barros, que sua cassação se deu por motivos alheios à corrupção, e por essa assertiva, estariam aí explícitos os genes de uma conspiração palaciana, que se expressaria em uma perseguição implacável ao clã garotinho.

Primeiro, é bom que se diga: o fato de existir tal perseguição, muito comum em ambientes de disputa política acirrada, não torna o desfecho da trama mais ou menos justo, quer dizer, seja lá quem for que esteja "por trás" da cassação da ex-prefeita, o que a sociedade não pode permitir é que os pressupostos constitucionais que garantem os direitos políticos e, em última instância, os direitos individuais dos envolvidos tenha sido maculado. Como ninguém dos atingidos argumentou nesse sentido, com a lesão do contraditório ou ampla defesa em qualquer das instâncias persecutórias, tudo nos leva a crer que tais procedimentos sejam legítimos e legais. Em miúdos, é lógico que os adversários da ex-prefeita lucrarão com seu infortúnio, mas perguntamos: Estão juízes e cortes a serviço dessa causa? Caso estejam, que os partidários da ex-prefeita aprsenetem as provas. Caso contrário, construam boas teses de defesa, pois a simples desqualificação dos processos parece que não tem funcionado muito!

Por outro lado, cabe-nos, enquanto leitores, observadores e eleitores, apurarmos a coerência dos argumentos apresentados pelos partidários da ex-prefeita Rosângela de Barros. Vamos a eles:

1. O fato de que notícias de corrupção não tenham sido apuradas, AINDA, não significa que esse governo possa ser considerado menos corrupto que outros, e pelo andar da carruagem, a verdadeira hojeriza que demonstraram quando confrontados com CPIs e outros métodos de transparência do governo deixam no ar graves suspeitas que essa administração sucumbiria se a Câmara dos Vereadores cumprisse seu papel fiscalizador.

2. Comparar-se com o período mocaiberista não é lá uma referência muito boa, ao menos, na visão dos partidários da ex-prefeita, que não se cansam de revelar as possíveis falcatruas cometidas no período. Quer dizer, quem se compara ao porco é o toucinho, ou quem se compara ao sujo é o mal lavado, enfim, quem se compara ao roto é o esfarrapado.

3. O abuso de poder econômico, com o uso de midia, dinheiro e recursos que desequilibram o poder de decisão e escolha do eleitor, é o principal mal da Democracia. É assim nos EEUU, que hoje procuram fórmulas para diminuir o poder de assédio das elites econômicas sobre parlamentares e poderes Executivos, é assim no Brasil, onde empreiteiros, grupos de midia e outros integrantes do poder financeiro transformaram a eleição em método de gestão de seus negócios, privatizando mandatos e as escolhas dos governantes, que ficam reféns de recursos para campanhas cada vez mais caras, e se afundam em escolhas administrativas que favoreçam os financiadores para manter o fluxo de desvios e recursos.

4. Assim, o abuso de poder econômico coloca as eleições como uma disputa com essa configuração: Todos a água para uma disputada regata. Os poderosos com barcos à motor, outros menos, com remos, e por fim, os grupos hipossuficientes apenas com pequenas bóias infláves e a força dos braços e das mãos para impulsioná-los. Ou uma corrida de automóveis, onde uns competem com Ferraris e outros com VW Fuscas, e outros com carrinhos de mão!


A tese de que seus "erros" são "inocentes entrevistas", que pouco ou nada influem no resultado e na gestão do Estado é mais uma prova de que os partidários da ex-prefeita não tem o menor compromisso com a Democracia.

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