sexta-feira, 23 de julho de 2010

As boas intenções e o inferno!

Leiam aqui embaixo, um trecho de um texto do Hamilton Garcia, coronel do pequeno feudo denominado Movimento de Controle Social, seja lá o que isso queira significar. Depois do texto, algumas de nossas considerações:

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O controle social da política local, destarte, necessita avidamente de uma pauta nacional que substitua a anemia dos partidos, como se viu no protagonismo de rede da Lei da Ficha Limpa, que, independentemente de seu resultado final, mostrou essa necessidade de ligar o local ao nacional como modo de promover efetivamente a cidadania política.
A ideia da democracia participativa, em países com as características políticas do nosso, assume um caráter diverso daquele verificado em países institucionalmente maduros. Não se trata apenas de romper os limites aristocráticos das instituições liberais através de uma ação direta da cidadania, mas de instituir uma forma específica de controle do corpo político que o impeça de manipular o voto popular por meio da corrupção de Estado semi-institucionalizada.
Sem uma reforma política ampla, geral e irrestrita, os ensaios de controle social do poder local que surgem no país correm o risco de perderem o impulso em meio à poderosa barreira institucional legitimada pelo voto popular, que garante às neo-oligarquias o controle sobre o Estado, em seus diversos níveis, a despeito das ações localizadas, tênues e restritas da Justiça brasileira e de outros atores sociais e institucionais de boa índole.
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Hamilton Garcia de Lima é cientista político e professor do LESCE-CCH/UENF-DR (Laboratório de Estudo da Sociedade-Civil e do Estado – Centro de Ciências do Homem/Universidade Estadual do Norte-Fluminense – Darcy Ribeiro). 

NOSSOS SINGELOS COMENTÁRIOS

Como assim, controle social, pauta nacional para substituir a anemia dos partidos? Que anemia? Só se for a anemia da direita representada pelo PSDB, DEMOS e o PPS(que goza da simpatia do controlador)!Vamos fazer política sem partidos, é isso? Aí eu pergunto, quem controla os controladores?

Será que alguém estuda tanto, se torna doutor, com nosso imposto de renda e outros tributos, para depois tentar me convencer que há algum movimento político eivado de boas intenções e despregado de qualquer sentido ideológico ou interesse?

Pelamordedeus, que tipo de "contrabando" teórico é esse?

Será que o nobre doutor entende que o movimento ficha limpa(de cunho fascista e moralóide)está desvicunlado dos mesmos interesses que movimentam partidos e outras esferas de poder da sociedade? Ou será que ele não enxerga que em um país onde só tem ficha suja quem não tem dinheiro, esse instrumento é mais um filtro para impedir que se exerça a Democracia, embora à primeira vista, e com auxílio de editorais do PIG, achemos tudo lindo e maravilhoso? Será que não enxerga que embora gostemos de cassar candidaturas de adversários, e taticamente isso nos favoreça, o que está em jogo é uma garantia constitucional caríssima ao Estado Democrático de Direito?

Se não for só cisnismo(*), é caso grave de internação!

Mas nada temam. O doutor não precisa de médico!
Para nos mostrar como funciona sua tese, o Movimento do Hamilton irá propor um DURO controle nas contas e obras de seu amigo reitor da UENF.

Porque meu pai(que não é doutor)me transmitiu que o EXEMPLO não é a melhor forma de ENSINAR, é a ÚNICA.

PS:

Ahhh, e antes que me acusem de intolerância, eu confesso: Sou intolerante. Poderia ser tolerante com quem não teve instrumentos e meios para enxergar a realidade. Mas nunca poderia ser tolarante com quem se reveste do manto sacralizado da ciência para proferir asneiras desse tipo! 

(*) cisnismo- neologismo que mistura cinismo com a doença do cisne: a vaidade!

2 comentários:

Anônimo disse...

Você é bom! Eu estava sentindo um certo desconforto em relação ao ficha limpa mas não sabia o que era. Era o lobo na pele do cordeiro! Não desista! Não pare! Obrigado! E, mais:Não sou nenhum cientista político ou militante de nenhum partido mas concordo que chegou a hora! Só precisamos saber o que queremos como queremos e quando. Eu quero TUDOAOMESMOTEMPOAGORA. Lembro-me da canção do Som Imaginário dos anos 70 que dizia que no Nepal tudo é barato. Quem tem doa e quem não tem recebe. Se pediu... Está precisando! Peço pleno emprego, pleno ensino, saúde plena, felicidade aos borbotões, cultura pra dar e derramar, arte aos baldes, esportes da cabeça aos pés. Tudo ao mesmo tempo em todos os cantos agora. Vamos invadir a roça, a cidade, a praia, as escolas, repartições, praças, ruas, calçadas. O céu, os jornais, rádios, televisões, internet, sindicatos, clubes de serviço... As canções... Enfim... É possível! Nós queremos! Nós podemos!

Roberto Torres disse...

Concordo plenamente Douglas. É preciso dar o exemplo.

A ciencia social, e quem fala em nome dela, tem o dever de aplicar a si mesma a sua visao de mundo. Cabe, em primeiro lugar, desnaturalizar a visao corrente sobre os fatos, as oposicoes semanticas cristalizadas. Somente por meio deste esforco difícil de desnaturalizacao – o que implica nunca confiar cem por cento em vícios conceituais – ela pode alcancar ganho de conhecimento, através do que tentamos justificar que voces pagem nosso salário. Antes mesmo da política, cabe uma obrigacao moral com a busca da verdade, o que, na verdade, implica muito mais em demonstrar a inverdade de nossa compreensao mais estimada sobre o mundo, do que em determinar a verdade. A ciencia só existe e se mantém porque a verdade é sempre contingente e parcial.

O que Hamilton naturaliza sempre é a dicotomia burguesa entre moralidade e interesse. Como se a moralidade (“controle social”) pudesse funcionar sem interesse. Onde este reina, reinaria supostamente o regime da manipulacao, solo infértil para o agir moral. Nesse vai e vem surgem as palavrinhas mágicas: é o voto manipulado do povo que mantém os vícios da política. Do outro lado está um “outro povo”, o dos controladores desinteressados do poder, que devem se sobrepor aos partidos, e muitos acham que de fato este é o vetor da história. É com esse julgamente moral, neste caso sempre feito de modo implícito, que Hamilton partilha da sociologia essencialista brasileira, que naturalisa, em última instancia, a idéia de uma cultura política brasileira, marcada pelo patrimonialismo eternizado e pela tolice do povo. Considera como atuais conceitos formulados a meio século, quando ainda se podia dar algum crédito aos que iam buscar a razoes de nossos dilemas lá longe no Portugual do século XIV.

A ciencia social não pode se excluir de sua visao de mundo. Ela tem o dever de desnaturalizar a idéia de que a busca pelo conhecimento, ou por determinar o que vale mais como saber, é uma atitude desinteressada. Precisa dar o exemplo admitindo que também está incluída no jogo social que busca descrever. E não fazer o contrário, usando a ciencia para fazer pregacao moral em nome da “sociedade”. Ora, de que “sociedade”? Quem são os “sócios” desta sociedade?