segunda-feira, 21 de junho de 2010

O que eu gostaria de ter dito ao Mauro Silva.

 Hoje, pela manhã, no playground da classe média campista, o Wal Mart, encontrei o secretário de propaganda da prefeita.
Sempre afável, nos cumprimentamos, e lhe disse: "Acho que vou dar uma folga a vocês, estou meio enjoado", ao que ele respondeu, educadamente: "Opa, um alívio é sempre bom!".

Esse diálogo, de trinta segundos, no máximo, de dois velhos conhecidos, encerra muita mais significados, ao menos para mim, do que um colóquio despretensioso.

Primeiro, só depois de internet e da rede de blogs é que um joão ninguém como eu poderia manter um tipo de diálogo desses com uma "autoridade municipal de primeiro escalão", e pior, do núcleo duro do poder. Essa é uma virtude que a internet e os blogs possibilitaram ao zé povinho(como eu), e que aterroriza redações, assessorias, marqueteiros e outros "prestidigitadores" da comunicação.

Outra, que creio mais grave, é a constatação do comportamento esquizofrênico da prefeita e de seu "time". Ora, se levada à cabo a possibilidade de uma convivência respeitosa, como demonstrada no rápido encontro matinal, poderia o governo ter estabelecido uma ponte de diálogo com a sociedade, ao invés de se enfiar em uma "sinuca de bico" institucional, ainda que goze de folga parlamentar, e um orçamento arabesco. O governo da prefeita não dialoga: ou coopta, ou destrói.

Existem pequenas coisas que gostaria de ter dito ao Mauro, mas a pressa nos impediu, e nem ele, ou qualquer outra "autoridade" estaria disposto a ouvir(eu sei bem o meu lugar, e nunca o convidaria), uma vez que o poder reveste de certezas quem o exerce, nem que seja para se encontrar com o fim prematuro, provocado por essa atitude arrogante.
Quem "ganha" eleição, tende a se achar ungido de uma infalibidade monolítica, e de certa forma, mídia e sociedade corroboram esse mito, quando depositam expectativas irrealizáveis, ou empurram governantes e mandatários para "acordos e consensos" improváveis de serem cumpridos. E depois, a mesma sociedade e midia "sapateam" sobre os restos mortais dos governos estatelados na "calçada", caídos do 348º andar da vaidade e o isolamento autosuficiente!

Mas vamos ao que gostaria de ter dito ao Mauro Silva, que chamo de "ministro da propaganda":

Caro Mauro,

1. A ocupação da rede com uma postura beligerante não ajuda. Esse não é papel de quem detém a institucionalidade pública. Blogueiros, sem mandato e sem atribuição administrativa podem (e DEVEM)cumprir esse papel, agentes públicos, NUNCA. Ainda porque, essa postura revela desespero e falta de argumentos, além de corroer o já frágil canal de interlocução governo X sociedade, se é que em nosso caso, nessa planície, esse canal ainda exista. Há, portanto, uma "liturgia do cargo" que secretários e prefeita devem cumprir. Posturas do tipo "rivotril bin laden", ou "aves de rapina", não contribuem para resgatar a imagem do governo.
Ao contrário, o efeito é contrário, e veja que em duas ou três semanas crescerão exponencialmente os blogs anônimos com ofensas de baixo calão contra governantes e auxiliares da prefeita. Essa é uma guerra perdida,e  nem você, nem ninguém do governo sabe "brigar" essa "briga".

2. Governos são entes que podem refazer sua imagem todos os dias. Não há mal que sempre dure. Logo, seria preciso parar, refletir e pensar: Olha, se tanta gente está insatisfeita, e os que se dizem satisfeitos são mantidos por laços de "compromisso financeiro e de sobrevivência", que contamina o "livre julgar", algo está errado, muito errado.

3. Se um governo com maioria parlamentar, orçamento generoso, eleito com expressiva margem de votos, não deslancha e parece imobilizado pela sua própria ineficiência autofágica, e tendência a autodestruição, é porqe falta liderança(não confundir com autoritarismo), falta bom senso e humildade.

4. Se é preciso colocar sempre a "conta" nas costas da "oposição", e lembrar a todo o momento um governo anterior horroroso, e usar esse passado como referência para ressaltar suas "qualidades"(sempre duvidosas), é porque o navio afunda de proa a popa.

5. Se com todo o "poder" e a "caneta", o governo não atrai aliados, e simplesmente tem que comprar apoio a peso de ouro, eu digo: Esse círculo vicioso nunca pára, e é a derrocada do "sistema", pois não há verba que dê conta de alimentar o "monstro do clientelismo", e mais, nesse processo são produzidas "as provas" para condenação e linchamento em praça pública do pouco de credibilidade que lhes resta.

Mauro, caro amigo(perdoe-me a intimidade), é hora de fazer como preconizou Lênin: "Um passo atrás, para dar mais dois à frente", quando ele implementou a NEP.

Emnbora eu saiba que vocês rezem mais na cartilha do Goebbels, não custa aprender um pouco com outro gênio da nossa História.

Peçam o boné, juntem os cacos, e atravessem o deserto. Quem sabe um dia, a planície volte a crer em vocês.

Um abraço.