terça-feira, 22 de junho de 2010

Ladrões de sono e a proletarização da medicina: riscos na saúde pública!

Esse é o título de um livro, resultado de uma trabalho de pesquisa de uma autor(a) o(a) qual me escapou o nome, cujo resultado pode ajudar o vereador Magal a encontrar o tom do debate, uma vez que supomos que o teor de sua "indicação legislativa" teve apenas o condão de acirrar o embate com os médicos e profissionais de saúde, que hoje, contestam a gestão de saúde pública do governo ao qual o parlamentar está filiado.

É que o autor(a)descobriu que a privação de sono, em escalas de trabalho superiores a 12 horas, provocam uma série de transtornos fisiológicos, psiquiátricos, dentre outros, que comprometem a qualidade e a segurança ods procedimentos inerentes a atividade laboral.

Em outras palavras: médicos e profissionais de saúde que trabalham 24 horas ou mais(na medida que a pauperização das categorias os forçam a contratar mais de um vínculo de trabalho)tendem ao erro, ao desgaste e doenças laborais vinculadas a privação do sono, bem como o uso e abuso de substâncias psicoativas(lícitas ou não)que sustentem a vigília.
Assim acontece com pilotos, motoristas, policiais, bombeiros, socorristas, etc e etc.

Na Polícia Civil já está em andamento a redução da carga horária dos plantonistas, bem como na PMERJ.

Bom, mas a questão principal transcende esse problema, que na verdade, está inserida na questão das condições de trabalho que estão submetidos os profissionais de saúde.

A proletarização da medicina, que é resultado das seguintes questões, em nosso entender de paciente:

1. A privatização permanente dos serviços de atendimento de saúde, com a expansão dos planos de saúde, que aviltou a mão de obra, e transferiu a inciativa privada a tarefa de atender uma boa parte da população(a mais "rentável").
2. A concentração desordenada de mão-de-obra no eixo sul-sudeste, com o excesso de oferta de profissionais, o que baixou a remuneração;
3. Com isso, médicos e profissionais procuraram dois caminhos: Múltiplos empregos, em detrimento da qualidade do exercício da atividade e; especialização exagerada que isolou as áreas médicas, que encareceu a formação e procedimentos de ponta, geralmente, inacessíveis a parte mais pobre da população, ou até os usuários de empresas de medicina de grupo, seguradoras e planos de saúde.
4. Formação deficiente e rala, com a mercantilização da profissão. 

Cabe ressaltar que o excesso de especialização médica não é um mal em si, mas não pode impedir que o profissional tenha uma visão "universal' do paciente, o que tem acontecido com freqüência, e que tem outro desdobramento: o fim dos generalistas, como pediatras, clínicos, etc, responsáveis pelo atendimento primário e secundário(urgência/emergência e ambulatorial). Basta checar os números de casos de erros e omissões processados pelas comissões de ética médicas dos conselhos para comprovarmos que há médicos que operam partes complexas de um tendão de um dedo da mão, mas são incapazes de promover uma reanimação, ou checar o prontuário antes de prescrever um medicamento para um paciente alérgico.

Em nossa cidade, temos um exemplo de uma área sensível: O combate a dengue. Temos, de acordo com as colunas sociais(?), o maior especialista em sorologia, profilaxia e sintomatologia das cepas virais. Em suma, um especialista na doença, mas nunca em prevenção, caso contrário, já teria aplicado uma intervenção sanitária drástica, ao invés de repetir a cantilena de que a culpa/responsabilidade é da população.

Aos seus fãs, nosso reparo: esse profissional ocupou em diveros governos o cargo de responsável pelo órgão de combate e prevenção de infestação do aedes aegyptis, embora tenha demonstrado que sua aptidão é de gabinete e laboratório.
Dengue é problema de coleta de lixo, tratamento de rejeitos sólidos, intervenção pública em domínio econômico privado, etc.
Mas preferimos os especialistas em internação e hospitais de "campanha". Loas, livros e coquetéis sobre os caixões das vítimas sazonais.

Em nossa rasa opinião de paciente, essa  a receita do fracasso da nossa saúde, quer seja ela pública ou privada.

Mas enfim, ninguém parece disposto a enfrentar um debate desses. É mais fácil simplificar. Uma pena.

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