terça-feira, 22 de junho de 2010

A chapa cascaleta, casamento de cascavel com borboleta!

Só assim pode ser interpretados os últimos movimentos de gabeira em direção ao púlpito do ex-governador garotinho.
É sabido que em política, esses arranjos "genéticos" são possíveis, e até desejáveis, uma vez que Democracia rima com diversidade e nunca com exclusão.

Mas sabemos também que alianças tão híbridas e heterogênas só se confirmam em duas hipóteses: ou quando uma ou ambas as partes têm muito a ganhar, ou por desespero.

Fico com a segunda alternativa, e explico o porquê:

Ora, gabeira vende a imagem do off-establishment, reciclando seu radicalismo verde em um neoudenismo pragmático e "responsável", tingido com cores de polticamente correto, tendo abandonado a parte mais picante de sua agenda. Está, em uma metáfora televisiva, como uma mistura de Ana Maria Braga, com William Bonner e Serginho Grosman, salpicado pelo voluntarismo do Ali Kamel.

Mas esse neoudenismo verde-claro, não conseguiria se aproximar do fundamentalismo evangélico, que até bem pouco tempo, escorraçava o candidato flex(pró-marina e pró-serra). Não há como "converter" gabeira em um pastor das almas garotistas. Um amigo de fé, irmão camarada.

Por outro lado, o gabeira perderia sua identidade onde sua imagem está mais sedimentada:  eleitorado zona-sul carioca que detesta o ex-governador.
Poderia imaginar que ganharia a capilaridade interiorana, e das camadas pobres da zona norte. Ledo engano.
Imaginem o gabeira discursando em um evento evangélico, ou em um programa de rádio em São Sebastião do Alto. Não dá.
Assim, o que resta é o desespero do ex-governador, que nada tem a perder(já perdeu tudo, ou quase tudo), e ainda busca influenciar o jogo com o pouquíssimo capital político que lhe resta, embora capital financeiro não lhe falte.

Um legítimo abraço de afogado do ex-governador no gabeira.

Cabral agradece. Com adversários desse naipe, é mais fácil que mandar a PM bater em professor!

2 comentários:

Anônimo disse...

Bem, Douglas, você poderia ver a coisa assim: Gabeira vai usar Garotinho da mesma forma que Cabral o usou na eleição passada.

Ou da mesma forma como Lula usa Fernando Collor, Sarney, etc. para ser o presidente mais popular da história.

douglas da mata disse...

Caro verde comentarista,

Essa é q questão central do post:

Gabeira vai usar o garotinho para quê? algum ritual de magia negra?

Exorcismo de seu passado?

Você consegue enxergar alguma possibilidade de encaixar o figurino do gabeira no eleitorado do garotinho, e as demandas que ele representa.

Ora, se você enxergar algum uso para ex-governador, tudo bem veja que no texto eu disse que essas "engenharias genéticas" são possívies e desejáveis na política, desde que esteja claro quem vai ganhar o quê. O que aqui não é o caso!

Quanto a Lula, você está certo, o termo é esse. Ele utilizou setores que há bem pouco tempo torciam o nariz para nossa agenda, e tiveram que se submeter, sob pena de desaparecer politcamente, como foi o caso dos demos e dos tucanalhas!

Irônico que a pior direita do país sustentou a governabilidade do melhor governo da História, e ele é de esquerda!

Só o Lula mesmo.