domingo, 30 de maio de 2010

Minha cidade, meu amor!

Declaração de amor da prefeita pela cidade:

EU RENUNCIO!

Será a hora?

Bom, será que agora não seria a hora da Câmara mostrar que serve para algo e criar uma CPI que investigue a utilização dos royalties em esquemas de comunicação? Ou apurar se há esquemas na área da saúde, como sugere o áudio com as "dicas" do ex-governador. Quem é Everaldo?

Tantos fatos determinados. Tantos outros, indeterminados...

Fala, garotinho!

Tudo bem, tudo bem, tudo bem. Vamos dar ao ex-governador uma aula de Democracia e lhe conferir a ampla defesa e o contraditório que ele nega aos seus desafetos:

Se dizem que as gravações estão fora de contexto, uma coisa é certa: Ele assume que é sua voz(falha grave)!

Portanto, que o ex-governador e seus asseclas digam qual é o contexto certo, então!

Pensamentos de lama.

Ouvir o ex-governador e sua "intrépida trupe" reclamarem de perseguição é como ouvir o Bispo Torquemada reclamar da quentura da fogueira, ou os nazistas reclamando do cheiro do gás.

As razões da rosa!

Ahhh, então "tá" então!

De acordo com o texto decorado pela prefeita, sua condenação por abuso de poder econômico, materializado no uso indevido dos meios de comunicação(que HOJE estão sob controle do principal empreiteiro-contratante da PMCG, não esqueçam)diferem-na dos demais sentenciados, nesse caso sua criatura, o deputado federal "canecão", e a criatura da criatura, o ex-prefeito "telhado de vidro".

Ué, mas quem desequilibra e corrompe o processo de escolha não já aponta o que fará caso eleito?
Existe maior crime contra a Democracia do que manipular a vontade do eleitor com recursos que os outros concorrentes não têm, fora dos limites estabelecidos em Lei?
Vale entrar em campo com 15 jogadores?
Amarrar o nadador da outra raia na borda?
Batizar a gasolina do carro adversário?
Botar calmante na bebida do jogador que lhe pede água em campo?

Vamos aos próximos argumentos, porque esses também já venceram,

Nós pensamos que...

O jornalista Ricardo André teve a felicidade de dizer tudo o que já sabemos, de um jeito único, e da forma como queríamos, eis as suas armas, bravo, monsieur Ricardo, touché:

domingo, 30 de maio de 2010


Para o TRE eles são iguais. E nós o que vamos fazer?

Chuta que é macumba!

Já passou da hora de descortinarmos a farsa da Democracia que se pretende emplacar, para justificar o descalabro que nos assola.

O exército de zumbis da Lapa, seguidores fiéis do culto a personalidade, entoam seu mantra derradeiro: A prefeita foi eleita pela maioria, e tal mandato deve ser mantido a qualquer custo!

Não, não, meus caros, a realidade não é bem assim. Não existe nada absoluto nesse mundo, nem mesmo a relativização.

Os mandatos populares, que dão forma a Demcocracia representativa, não são cheques em branco. Qualquer estudante de Direito, ou qualquer cidadão do povo, ainda que distante dos brocados jurídicos, sabem que existem meios para revogar o mandato que se insurge contra o bem estar do mandatário. Aliás, esse é uma premissa jurídica que serve a qualquer situação: todos os excessos do mandatário são anuláveis, e quando contaminam a essência da outorga, o próprio instrumento(a procuração)cessa seus efeitos.

Então, combinemos assim:

Uma cidade com 04 prefeitos em 06 anos, com 06 eleições, operações policiais quase cotidianas, imprensa vendida, Judiciário sob suspeição de partidarismo, Câmara leniente e submissa(para não mencionar coisa pior), que culminam em insegurança institucional grave não pode se considerar um ambiente onde a vontade das urnas seja um parâmetro confiável.

Tempos de exceção, medidas excepcionais.

Quem construiu esse ambiente não foi a população ou a oposição. Basta ouvir as palavras do próprio "chefe", e sua "tecnologia" para "fazer valer" a "vontade popular".

Procurem outro argumento(se possível), porque esse não cola. Chuta que é macumba!

sábado, 29 de maio de 2010

Ato de coragem.

Ainda que não seja possível, nada custa sonhar.
Se fosse uma mulher de coragem, dotada de espírito público e capaz de renovar a legitimidade que perdeu em processos eleitorais duvidosos, e que ressurgem em outros turnos nas barras dos tribunais, a prefeita e seu grupo político deveriam buscar uma forma jurídica de chamar um plebiscito, ou um recall(nos moldes estadunidenses)para auferir a vontade popular sem intermediários:
Renunciaria ela e seu vice, entregaria o governo ao magistrado mais antigo da Comarca, e convocaria a consulta popular pela sua restituição ou cassação.

Caso fosse afastada, novas eleições seriam chamadas, mas com uma nova regra: Nenhum detentor de mandato(parlamentar ou executivo, desde 2004), ou cargo de confiança (1º, 2º e 3º escalão), ou ex-prefeito poderiam concorrer.

Já que é para ter um "décimo oitavo turno", que seja pelo povo.

Não há outra saída institucional para esse governo insepulto!

É só um delírio, mas todos essas providências poderiam ser acordadas entre as partes, em nome do seu suposto amor pela cidade.

Nada fizeram: FORA!!!

No varal do lamaçal: A Comuna de Campos dos Goytacazes!

Publicamos o texto do advogado e professor universitário Cláudio Andrade. E desde já propomos, como fizemos lá no blog do Cláudio Andrade, a criação do Conselho Municipal de Ação por de Campos dos Goytacazes, a Comuna de Campos dos Goytacazes, com a participação de sindicatos, associações, partidos, entidades de classe(OAB, CREA, COREN, CREMERJ, etc), dentre outras instituições, e o principal: a participação de gente sem qualquer vínculo ou representação, gente comum, como eu e você.
É lógico que a Democracia representativa é necessária, mas nos dias de hoje, precisamos de instâncias nos moldes da Comuna de Paris. Representação direta é a saída para o resgate da vontade popular.
Leia aí o texto, reflita e opine:

A rede blog é plural e torço que continue assim, afinal essa é a sua maior qualidade. Os últimos acontecimentos políticos ocorridos em nossa terra em transe e o texto do blogueiro Douglas da Matta me fizeram refletir acerca da necessidade de nos posicionarmos.
Todos os dias divulgamos notícias, artigos e opiniões acerca da política de Campos, entretanto, por comodismo, receio, desinteresse dentre outros motivos, avançamos pouco no quesito realizações. Entendo que possuímos legitimidade para marcar posições mais concretas e eficazes diante dos problemas sérios que insistem em manter a nossa cidade no mais raso dos patamares.
A rede blog é formada por uma variedade de profissionais e a contribuição de cada um seria por demais salutar no interesse comum de ajudar a reformulação de modelos e métodos administrativos, culturais e sociais em voga em nosso cotidiano.
O texto que escrevo não possui o condão de avaliar a cassação em segunda instância eleitoral do mandato da Prefeita Rosinha, afinal, antes dela, e por motivos bem distintos, outros três chefes de executivo também foram retirados do cargo.
Nas últimas três cassações entendo que fizemos muito pouco. Informamos, opinamos, tomamos posição e mais nada. Ao meu sentir, precisamos de uma organização em rede, da rede, para que as nossas ações tenham uma repercução além blogs.
Precisamos de uma estrutura organizacional que proteja a liberdade de pensamento de cada blogueiro, mas  que os una, na medida do possível, quando, enquanto munícipes, estejamos diante de questões tão relevantes que somente uma ação conjunta é capaz de fazer frente.
Tenho certeza que o tema apresentado por mim enfrenta diversas resistências, entretanto não custa abrir uma discussão nesse sentido. Acho que enquanto 'formadores de opinião' e divulgadores de notícias, podemos avançar mais e colocar em prática as questões que tanto criticamos na rede.
Cláudio Andrade 




A quem serve a teoria da perseguição?

Geralmente, a teoria que preconiza que somos vítimas de uma conspiração que nos acue, irremediavelmente, e de forma injusta, serve a alguns propósitos. Mas o fato de utilizar tal formulação com peça de defesa não invalida o fato de que a perseguição, de fato, possa existir, ou seja:
Caso o ex-governador seja paranóico, não significa que ele não esteja sendo perseguido.

Mas o staff do governador Sérgio Cabral deve calibrar o dose, sob pena do veneno virar vacina.
A não ser que detenha mais munição, e tudo indica que sim, a imolação em praça pública do Torquemada do Chuvisco pode resultar em efeito contrário.
Pode lhe dar a coesão necessária em suas hostes, pois seus acólitos funcionam mais por fidelidade canina e devoção que por razão, logo, se conseguissem abstrair o devir, já teriam abandonado o barco, há muito tempo.
Mas como não parecem capazes de qualquer atividade cognitiva autônoma, parecem dispostos a afundar com o "chefe", com todo o estardalhaço e incineração de quantos pneus houverem nos estoques.

Mas, por outro lado, a História é pródiga em eventos onde o mais forte, aquele que detinha as escolhas, ruiu sob a reação improvável do adversáio que menosprezou.

Outro fato importante é o tempo de ataque, e utilização dos recursos disponíveis. Se prematura demais, e ineficiente, do ponto de vista da aniquilação do inimigo, faltará condições para manter a cidadela da Lapa sob cerco, durante muito tempo, e pode ocorrer um efeito colateral de tanto apanhar, as acusações se banalizam e não surtem mais efeito, como é o caso de Maluf, por exemplo, que já não detém todo seu cacife de outrora, mas consegue reunir votos para permanecer no jogo político, a despeito de todas as acusações em seu desfavor.
Assim, eu creio que os magos de marquetíngue do governador estejam de posse de pesquisas qualitativas que demonstrem a curva do oponente sob fogo pesado!
Porque vai chegar a hora, se o governador atual enfrentar o ex-governador, que o debate não poderá ficar restrito a questões éticas e morais.
Nesse sentido, tanto um quanto o outro, não tem muito a apresentar, senão pirotecnia e propaganda vazia. As duas gestões são sofríveis, embora sob o governo atual pese o ônus de ter contado com todo o amplo e irrestrito apoio de Brasília, e uma situação econômica muitíssimo mais favorável.

Outra lenda de eleições diz que a população tende a se aninhar junto aolado mais fraco. Se conseguir emplacar essa tese da conspiração, o Torquemada do Chuvisco pode melhorar seu desempenho.

Caso contário, buscará uma saída honrosa, dizendo-se vítima da maior perseguição desde os tempos bíblicos.

Sodoma e Gomorra!

Todos sabem que não pratico qualquer fé, e sequer acredito em deus, mas não deixa de ser oportuna a comparação, afinal, textos religiosos, considerados per si, são retratos das épocas em que foram escritos, bem como procuram condensar usos e costumes para estabelecer padrões morais de conduta, pelo viés da crença.

Nesse sentido, e aproveitando que o casal de prefeitos em questão adora misturar religião e política, achamos na Wikipédia um trecho sobre o assunto:

"No livro de Ezequiel pode ler-se "Eis em que consistiu o crime de Sodoma [...]: orgulho, abundância de alimentos e insolências; estas foram as faltas que cometeu [...]: não socorreram o pobre e o indingente"

Agora nossa versão atualizada e remasterizada das cidades-estado do Vale de Sidim, do Mar Morto, que já foi "digerida" pelos blogs, e que me foi enviada pelo e-mail:

Site faz denúncia contra Garotinho

Atualizado às 19h37 - O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PR) foi flagrado em áudio revelando um esquema que ele teria no Judiciário do Rio de Janeiro e na Inteligência da Polícia Federal, segundo informou o jornalista Mino Pedrosa, no site QuidNovi. As gravações também revelariam movimentação suspeita feita por ele, envolvendo a bancada do PMDB. No áudio, o ex-governador também dá dicas de como, segundo o QuidNovi, "seu arrecadador de campanha pode saquear os cofres da prefeitura de Campos", onde sua esposa, Rosinha Garotinho, é prefeita. Há pouco o ex-governador Anthony Garotinho informou a esta coluna que as informações são improcedentes e que o áudio não confirma as acusações do site QuidNovi. Garotinho também diz que a gravação foi editada para "incriminá-lo".

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Tá tudo dominado!

De acordo com o blog Estou procurando o que fazer, o ínclito presidente da Câmara, Vossa Excelsa Senhoria, Dr. Nelson Nahim, disse que assumiria o cargo, caso houvesse a vacância determinada por sentença judicial.
Perguntar não ofende:

Ele assumiria ou o clone?

Alguém precisa dizer a ele que prefeitura não é "brincadeira de criança"!

Gabinete de crise 2!

Alguém imagina que a Câmara de Vereadores e o Governo Municipal podem, juntos, estabelecer alguma interlocução confiável, do ponto de vista institucional, e promover uma discussão equilibrada em torno do Orçamento?

Alguém imagina que algum setor sério da sociedade civil possa participar de qualquer debate com esse governo ou seus pares?

Alguém imagina que a prefeita tenha algum resquício de credibilidade para presentar nossa municipalidade, em qualquer fórum ou conjuntura que assim a exija?

Alguém imagina que essa administração será capaz de conduzir o processo eleitoral sem utilizar armas muito mais poderosas do que essas pelas quais ela foi condenada pelo uso?

Alguém imagina que esse governo e seus pares sejam capazes de revestir o mais simples ato dos pressupostos inerentes aos atos administrativos, como legalidade, probidade, e impessoalidade, por exemplo?

Diante de tantas dúvidas, que ameaçam nosso convívio desde 2004, com o revezamento de escândalos, protagonizados por todos os personagens do garotismo, perguntamos: Não seria o caso de uma intervenção federal?

Gabinete de crise!

Na verdade, pouco importa se os resultados das decisões do TRE ou TSE possam colocar um termo no mandato da prefeita eleita em 2008, assim como cassar um de nossos representantes no Congresso.

A questão principal antecede. É entendermos como chegamos a esse ponto.
Caso se confirmem, serão seis, eu disse 06 eleições em quatro(04)anos.

Que tipo de sociedade é essa que convive com tal ambiente caótico, sem que acorde para emergir da lama que a soterra? Ora, todos sabemos que somos vítimas e cúmplices desse processo, mas eu pergunto: Não haverá, nos moldes de alguns momentos mais importantes da História de outros lugares, uma vanguarda que nos guie para fora desse atoleiro? Não, não há, e a mesma História nos mostra que os movimentos de vanguarda tendem ao fracasso, e traem seus propósitos fundamentais.

A resposta é política, e está em nossas mãos, embora sempre pareça que ela escorra entre nossos dedos.

Mas preferimos jantar nossos próprios restos mortais, cercados pelos abutres de mídia, com a gargalhada das hienas do poder como música incidental. Um banquete de podridão antropofágica.

Não importa se a prefeita vai ou não ser mantida no cargo, como já disse.
Seu mandato acabou. Esse modelo acabou, e não há repaginação de marketing que dê jeito.
Não adianta cirurgia plástica para cessar a metástase do carcinoma.

Como está, a administração e suas "obras" parecem uma dona de casa atônita, que acende todas as luzes, liga o fogão sem que haja panelas para cozer algo, aumenta o som da TV e do CD player, liga a irrigação do jardim, enquanto faz obras em todos os cômodos, e tenta limpar a poeira com um pano seco, com o ferro elétrico ligado por três horas para passar uma camiseta, enquanto a lavadora de roupas é acionada para lavar um par de meias, e por fim, abre todas as torneiras.

É chegada a hora de romper todo nosso imobilismo, superar diferenças, e juntar em uma frente ampla gente do calibre de:
Sérgio Diniz, Andral Tavares, Roberto Moraes, Luciano D'Ângelo, Odisséia Carvalho, Odete Rocha, Rogério Matoso, Antonio Carlos Rangel, Adão Faria, Adilson Sarmet, Hugo Diniz, Fabiano Rangel, Zé Maria Rangel, Gustavo Lopes, Gustavo Carvalho, Fábio Siqueira, Renato Barreto, Brand Arenari, Roberto Torres, George Gomes Coutinho, Fabrício Maciel, Garciete Santana, Erick Schunk, Marcos Pedlowisk, José Hamilton, Rossana Florêncio, Aurélio, Cléber Tinoco, Zé Luiz Vianna, Artur Gomes, Jane Nunes, Sérgio Cardoso Moreira, Rose David, Professora Luciana, Vitor Menezes, Gervásio Neto, Gustavo Rangel, Cláudio Kezen, Celso Vaz, Cláudio Andrade, Maxsuel Barros Monteiro, Herval Junior, Davi do MST, Aristides Soffiati, Gustavo Soffiati, Félix Manhães, Joca Muylaert, e tantos outros, muitos outros.

Aceitamos até aqueles que renunciem às práticas que contribuíram para nosso sofrimento. Que a Imperatrix faça o "gesto simbólico" e devolva os 1.8 milhão da "fantasia". Que outros vereadores, deputados estaduais decidam parar de tentar agradar deus e o diabo, e venham se juntar aos esforços dos homens e mulheres de boa vontade. Não há futuro para nós, se mantivermos as coisas como estão.
É hora de parar, refletir e agir.
É essa História que esses homens públicos querem legar aos seus descendentes e sua biografia?

Esse é o momento de ruptura que exige medidas de exceção.
Livremo-nos de nossas diferenças e sigamos pelo que nos une.

Há tempos de cinismo, e há tempos para ingenuidade

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Agora é só ladeira abaixo.

Por detrás de todos os fatos, há sempre questões simbólicas, de onde podemos depreender algumas lições.
Vejam que na mesma tarde, o TRE "passou o rodo" em criadores e criatura. Daí que sempre tocamos a mesma tecla, que já ficou gasta:

São faces da mesma moeda, frutos da mesma árvore podre, operadores de um mesmo modelo, tanto o casal de prefeitos como o deputado federal oriundo da ARENA/PDS, que hoje ostenta as cores do PDT.
São "cúmplices" na transformação das eleições dessa cidade em uma mercado persa, um oba-oba, um vale-tudo descarado.

Assim, temos a cidade mais uma vez sob suspense, e tudo agora servirá de escusas para a já constatada ineficiência do governo atual.
Se já estava imobilizado pela sua deficiência, arrogância e incapacidade de articular as reais necessidades e demandas da população, haja vista que a tarefa principal era arregimentar esforços para a nova aventura eleitoral do ex-governador, agora, sob o signo da precariedade, esse governo acaba de acabar!

Salve, salve o governo da mudança.

O mundo paralelo da planície lamacenta.

Os blogs da planície lamacenta deram a novidade, que como canta Gilberto Gil, é metade busto de uma deusa maia com grande rabo de baleia, um paradoxo estendido na areia.

Diante da mão inexorável do Deus Ex Machina, reiniciamos novo ciclo de instabilidade política, que de tão recorrente, banalizou nossas instituições: A Democracia em Campos dos Goytacazes não vale cinqüentinha.

A tão cantada e decantada "prefeiturização" da cidade, pelo enorme aporte de recursos que transbordam dos cofres públicos em vazamentos sem controle, nem escala, e pior, sem a menor escala de prioridade, solapou o processo político local, e nos condenou a ter eleições em três, quatro ou cinco turnos, onde boa parte desses certames se dão pela força de sentenças, e não pelo sufrágio.

Imaginemos que a decisão do TRE-RJ seja ratificada pelo TSE, ainda em tempo de provocar efeitos, pois a perda do objeto se dará em 2011, caso o recurso com efeito suspensivo não seja combatido por sentença definitiva, o que aliás, nem é novidade.

Quais são as forças políticas capazes de reunir a estatura para fazer frente a necessidade de uma composição de setores que retirem nossa cidade desse atoleiro no qual se encontra?

Seria a hora de amplos setores da oposição superarem as suas divergências, estabelecerem uma agenda mínima para a cidade, e partissem em busca de quem se dispusesse a se submeter aos interesses da coletividade, e nunca o contrário, como de costume. Mas como dissemos: são pequenos demais para tarefa tamanha!

Vivemos com a nítida impressão que na planície lamacenta, o tempo corre torto, a realidade se distorce e o valores sempre estão de ponta à cabeça. Uma dimensão qualquer, entre o cinismo e a hipocrisia.

Deu no Jornal Hoje.

Homem entra em Supermercado em São Paulo, apanha uma faca na prateleira e agride clientes e funcionários. Saldo: Um morto e dois feridos. José Marcelo foi preso, e aparentava surto psicótico. O crime se deu ontem à noite.

Os parentes do aposentado da vítima de José Marcelo devem estar a se lamentar:  Quem dera um policial violento para atirar bem na cabeça desse louco!

Mas a questão não pode ser reduzida e simplificada assim, embora exista a tentação de comparar com o caso de Campos dos Goytacazes.
Mas a pergunta cínica:
Qual vida valeria mais se você tivesse que decidir: A de um louco furioso com uma faca na mão, ou de outras pessoas indefesas que estivessem ao seu alcance?

É um falso dilema, é claro, mas perfeito para provocar quem deseja fazer tábula rasa de um debate tão importante: Polícia, sociedade e violência.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Bonecos de lama, poesia de barro!

Língua universal

Tão bem
me sabes,
que antes
devora-me,
para só depois
me decifrar.
Eis que
escrevo meus sinais,
em aramaico,
hebreu,
mandarim,
polonês,
grego,
e latim.
Mas você,
com sua língua,
mãe de todas as línguas,
me traduz
e me seduz!
Está escrito,
e agora sei:
Eu sou
seu dialeto predileto!

Para ela que colocou os pingos em todos os meus "is". 
Aos 26/05/2010 e para sempre.

O "túmulo do samba e da legalidade"!

Houve um tempo no qual o samba, como manifestação cultural restrita aos estratos mais pobres da sociedade, era perseguido pela "polícia de costumes", que legitimava a perseguição ideológica e de classe que estava por detrás dos "argumentos legais e moralistas" contra o batuque que se fazia na Praça 11 e no seu entorno, na então capital da República.

O estranho, e tudo é muito estranho nesses útlimos vinte anos nessa planície de lama, é que agora, por motivos transversos, o samba volta a ser objeto da discórdia e vai parar na barra dos tribunais.

Hoje, não se questiona mais a importância do samba e suas possibilidades sócio-culturais de gerar autoestima, emprego e renda.

Só que depois de anos e anos do mesmo modelo, que se instalou há 20 anos, e que agora tem os seus criadores como protagonistas novamente, a cena cultural na planície de lama subverteu a ordem e "atravessou o samba".
O dirigismo cultural perdulário, que confunde dinheiro com execlência, mas que não dá a dimensão correta do papel do Estado como instrumento de fomento e democratizador do acesso às variadas manifestações de cultura, criou um impasse, que em sua essência é falso:
O samba é importante, e merece uma casa digna.
Mas o problema é esse: É como se você desse uma cobertura em Ipanema a mendigos, que não tivessem outra fonte de renda senão uma mesada do governo.
O que temos aqui em Campos dos Goytacazes não pode ser considerado escola de samba em local agum do mundo.
E não é por falta de competência, eficiência artística ou vontade das populações envolvidas. Somos uma cidade pródiga em talentos e bambas, como não me deixa mentir a multimídia Lene Moraes.

É porque a dinastia rosa é como um Midas, vestem de ouro($), mas matam o que tocam!

CEPOP, o túmulo do samba, e agora da legalidade!

A questão da violência policial.

Antes de mais nada: Quem fez, que pague na proporção de sua culpa, nem menos, nem mais, de acordo com o que restar provado nos autos.

Nesse comentário, que deixei para fazer depois de ouvir toda a sorte de asneiras, e alguns textos "inflamados", como é característico nesses casos, e também ler publicações de consternação sincera(só aceitável a quem priva da intimidade da vítima), para que pudéssemos traçar um panorama dessa questão grave: o abuso policial.

Em coerência a introdução que fizemos, vai nosso respeito a dor da família da vítima, e o desejo que tudo seja apurado, e se houver culpado, ele seja responsabilizado dentro do contraditório e da ampla defesa.

Mas é preciso traçar algumas ponderações sobre o episódio, que não encerra em si todas as variáveis:

1. Não se trata de "criminalizar" a vítima, mas quem vai, depois de uma briga ou confusão, buscar uma faca para ferir outrem, não pode ser considerado uma pessoa pacífica e inofensiva, ainda mais se considerarmos, longe de estigmatizar lutadores e atletas de artes marciais, que uma pessoa que pratica tais esportes já leva uma vantagem considerável sobre seus oponentes, ainda mais de posse de uma faca. Ou seja, é certo afirmar que se não fosse morto, provavelmente hoje, ele seria o algoz;
2. A questão do ingresso de pessoas armadas em locais de diversão públicas, fechados, é séria. Não há uma fiscalização pertinente, pois há regras para a guarda desses instrumentos, com cofres, recibos de cautela e identificação dos portadores(geralmente policiais). Como tudo é "jeitinho", os empresários da noite preferem "fingir" que não vêem a entrada de armas, a se submeterem aos rigores da fiscalização;
3. Ainda que essas casas noturnas, ditas de "elite", sempre estejam vinculadas a eventos violentos desse tipo, aqui e em outras cidades, não se vê nenhum editorial "inflamado" ou medida das autoridades e da "boa sociedade" em repudiar ou fiscalizar essse locais, como se faz com os bailes funk, por exemplo. Afinal, bailes funk não compram anúncios em jornal, nem patrocinam eventos, feijoadas e coisas afins.
4. Segurança pública é planejamento, prevenção e proatividade, e aquela região da cidade é pródiga em brigas e distúrbios violentos, mas ao que parece, pela clientela, sabe-se de antemão, que ninguém promoverá a Lei e valerá, então, a lei do mais forte, que nesse caso vitimou o rapaz Nataniel, que no entanto, quando portava a faca, pretendia também fazer valer essa letra.

De resto, como sempre, a hipocrisia grassa. É de pasmar que a sociedade que empurra a polícia para os braços da violência, com caveirões, "ocupação", editoriais inflamados que pré-julgam e fornecem os argumentos ideológicos para o nosso bom e velho extermínio em massa de pretos, pobres e jovens pelo aparato policial, agora se queixem quando os "cães de guerra" fogem do controle.
Será que essa morte, se fosse na periferia, em um baile funk teria a atenção devida, e, caso tivesse, seria o conteúdo das matérias no mesmo tom?
Duvido.
Até arrisco uma manchete: "Herói: Policial de folga impede fúria e faca em baile funk do tráfico"!

O curioso é que alguns desses "articulistas" não se furtam a "usar" "pequenos favores" e até o manu militari(em proveito privado) da polícia que agora criticam.

Repito: a violência policial é injustificável. Mas a violência não é só do policial. É da polícia, e a polícia atende sempre o "clamor" de quem lhe paga, a sociedade. Sociedade violenta, polícia idem.
E quando as regras não estão claras, já sabemos: é a lei do cão.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Bonecos de lama, poesia de barro!

Quimeras.

Se queres sonhar,
Delira de uma vez.
Porque a realidade
É só um pesadelo,
Do qual só acordamos,
Quando dormimos para sempre!


Douglas da Mata, em May 24th, 2010.

domingo, 23 de maio de 2010

Bonecos de lama, poesia de barro!

Otimismo pragmático.

Não há início de um novo dia.
Ele marca o fim do outro que morreu.
Delimita a quantidade menor de tempo que lhe falta.
Portanto,
A esperança é uma farsa.
Porque está em pé sobre uma coisa que não existe:
Futuro.
Dias melhores não virão.
Na verdade,
Dias melhores morrerão,
E com eles,
Você e toda sua esperança.
Sempre assim,
Do incício,
Ao fim.


Douglas da Mata.

Manual de propaganda da lapa. Volume 1

O exército da Lapa parece revelar os contornos de sua estratégia para o pleito que se aproxima. Senão tanto, ao menos o formato dos discursos parece vir à tona.
Se olhados de forma isolada, os últimos eventos relacionados ao ex-governador sugerem uma "maluquice napoelônica".
Mas não se trata disso. Relegado ao segundo plano do eixo das decisões poíticas importantes regionais e nacionais, espremido em uma prefeitura de interior e poucos parlamentares espalhados pelo Congresso, ALERJ e a Câmara de Vereadores, dentre eles, a sua filha, o ex-governados procura calibrar o discurso que dê coesão a sua "tropa".
Assim, o discurso homofóbico atende aos seus evangélicos-sectários, enquanto a fala de vítima de perseguição em relação ao púlpito radiônico do qual foi alijado é a outra ponta de inserção junto ao seu eleitorado popular.

Já no flanco baixa classe-média e "compartilhadores de opinião"(formadores só a deformam), o ex-governador adotou a prática de confronto, com o receituário básico: Nenhuma menção aos fatos e as críticas que eles suscitam. Apenas a boa e velha desqualificação dos interlocutores, ou seja: se a carta traz notícia ruim, matem o carteiro!
Esse modus operandi é percebido pela blitzkrieg promovida pela prefeita e seus acólitos na última semama. Parecia campanha de lançamento de disco de popstar, tamanho foi o jabá que tivemos que engolir. "Estrelaram" os programas de rádio chapa-branca, tanto a chefe do executivo, tanto quanto seus secretários.

Um festival de besteiras que assolam a planicíe, ou o FEBEAPLA.

Se a prefeita e seu marido conseguirão reverter a onda de descrédito a qual atravessam é uma incógnita. Mas não deixa de ser divertido, senão fosse trágico, ver esse pessoal falar tanta asneira.

O hábito, o vício e o círculo.

Ainda que tivesse tomado a decisão mais importante de sua vida. Ainda jazia em cima da mesa, a lista do supermercado, as contas e o cachorro para passear.

Pôs-se a refletir como a rotina permanece ali, ainda que suspensa por alguns instantes, a nos espreitar e lembrar que não somos totalmente donos das escolhas que fazemos.

Foi ao supermercado, pagou as contas, passeou o cachorro. Chegou em casa, fez a única escolha verdadeiramente sua. Resolveu o único problema filosoficamente sério: "O suicídio é a única vacina que temos contra o tempo e sua fatal repetição", pensou ele, antes de guardar as compras, arquivar os boletos e alimentar o cachorro, para depois apertar o gatilho.

IPTU: Declaração de arrogância e incompetência!

A questão da aplicabilidade ou não de nova lei que disciplina matéria tributária(fixação de alíquotas)no mesmo ano fiscal já foi esgotada pelo ótimo advogado e blogueiro Cléber Tinoco.
Mas ao contrário do que imaginam alguns "juridicialistas", as decisões políticas submetem as "questão técnicas", e no ramo do Direito, essa expressão não é só verdadeira, ela é impositiva, ou seja: Leis são consensos(?)políticos que normatizam a sociedade.

É aqui que mora o perigo. O governo atual não enxerga consenso político algum, senão pela extinção da interlocução, ou seja: O autoritarismo. Seus supostos "erros judiciários" são isso. Assim foram durante a dinastia estadual, assim o são nessa etapa municipal.

Portanto, quando a Procuradoria Municipal, ou os vereadores da base aliada da Câmara são incapazes de apresentar uma solução coerente para a questão do IPTU, isso não é mero acidente. O governo municipal só enxerga uma função para o Estado de Direito e a Democracia: Satisfazer seus interesses e quase nunca o bem comum.

Leia a opinião do Cléber Tinoco, e dê um formato "técnico" a sua opinião:

sábado, 22 de maio de 2010

O IPTU não pode ser cobrado com base na nova lei

sábado, 22 de maio de 2010

Avyadores, eu fui!

O Gustavo Rangel, que tive o prazer de apertar a mão, na transição rede versus realidade, tão necessária a todos nós que compactuamos, nem sempre as mesmas ideologias, mas ao menos o sonho de uma cidade melhor para se viver, definiu o ensaio aberto da Banda Avyadores do Brazyl como uma experiência nova, adequada a necessidade da banda "demarcar" seu território, ,mas sem o compromisso e o "peso" da estrutura necessária para um show.
É verdade, eu fui até o Espaço da Bola, ali no início da Formosa, e constatei o que o Gustavo disse.

Mas há uma ressalva importante, que eu, como fã dos Avyadores, gostaria de externar.

Mesmo com o formato de ensaio aberto, não deveu em nada a um show, e digo sem medo do exagero(que só soa verdadeiro nos "fãs-náticos" como eu):
Como ensaio, foi o melhor show que vi nos últimos tempos.
E por que?
Ora, porque a dinâmica de uma banda como os Avyadores e sua pegada rock, rithym'n'blues e outros baratos afins, transcende às grandes estruturas, ou esquemas muito elaborados.
Isso não quer dizer que não mereçam tanto, ao contrário.
Mas, em uma metáfora futebolística, os Avyadores são craques, e craques jogam no Maraca ou no "barrinho" que tinha na esquina.

Revi amigos, ouvi o Artur Gomes, a Carla Bryto com suas participações luxuosas, vi várias tribos, mas de tudo isso, acima de tudo, pude "bater continência" ao Brigadeiro Luizz e sua tripulação.

Bate papo com Gustavo don Oviedo. Ótimo papo.

Comentário culinário: Ótima carne, com uma farofinha especial, com preço honesto.

Comentário agradecido e orgulhoso: Ganhei o CD, com direito a autófgrafo do Brigadeiro.

Enfim, uma tarde rock'n'roll.

Bonecos de lama, poesia de barro!

Uma história triste.

Eu penso.
Logo insisto:
O Homem ri.
Inclusive de si mesmo.
Mas eu penso,
Logo insisto:
Que danado de animalzinho triste
somos nós.
Sentenciados pelo tempo que contamos,
que nos mata a cada dia,
embora acreditemos que isso,
seja viver.
Por isso eu penso,
Logo insisto:
Mato o tempo,
Antes que ele me mate.


Douglas da Mata.
22/05 de algum lugar no tempo.

A mídia brasileira: um antro de escroques!

Não há na sociedade brasileira, e quiçá em qualquer outra no mundo ocidental, uma instituição com comportamento mais vil que a mídia brasileira.

Ressalvadas as honrosíssimas exceções, e o talento intelectual de um ou outro jornalista, ainda que de cores conservadoras, a mídia brasileira, batizada com perfeição como Partido da Imprensa Golpista, PIG, pelo Paulo Henrique Amorim, pratica um subjornalismo sem precedentes, ancorada nos interesses da pior elite brasileira.
Sim, a pior elite, ou os nossos quatrocentões, quer sejam paulistas, cariocas, gaúchos ou coronéis norte-nordestinos, e claro, os nossos idiotas locais, ávidos para vestir um figurino casaca cosmopolita e cheios de bicho de goiaba na barriga.

Enganam-se aqueles que pensam que não temos uma boa elite.
Sim, a temos: gente como o pessoal da Natura(que inclusive está na disputa ao lado da Joana d'Arc da Floresta, Marina Silva)tem o José de Alencar, o pessoal do Grupo Ethos(com aquele da Fundação Abrinq), dentre outros tantos.
Aqui  na planície lamacenta, também a temos, embora ainda não tenha tido o prazer de conhecê-la.
E antes que pululem comentários que sugiram que esse blog fez alguma capitulação ao capital e a burguesia, alto lá: é claro que esses setores e nomes não são "santos", aliás, como nenhum de nós.
Mas essa nova elite já enxergou o nosso momento, a oportunidade, a possibilidadede construir uma nação sem igual no mundo. Cheia de recursos energéticos, dimensões continentais, enorme mercado emergente, nenhuma divisão étnica-religiosa importante, uma só língua, enfim, o país do tudo ao mesmo tempo agora!

Mas esse país tem um outro "dado" que incomoda esses imbecis.
O fato de termos um presidente como o Lula, com suas características, suas qualidades e seus defeitos.

É a partir dessa inflexão que resolvi escrever esse texto-desabafo.
Hoje, passei por uma banca de jornais, o que sempre é um exercício desagradável, dada as opções da maioria das publicações. Mas o hábito faz o monge, e assim, eu ainda peregrino por bancas, quem sabe para garimpar algo que preste entre Vejas, folhas, globos, e outros ordinários.
No entanto, como disse, hoje tive ânsias de vômito ao ler a manchete do jornal da quadrilha Marinho.

Depois de passar a semana toda achincalhando e menosprezando o acordo nuclear Irã-Brasil-Turquia que prevê a inédita remessa de 1.2 t de urânio bruto pelo antigo Império Persa para ser enriquecido a 20% na antiga terra dos Otomanos, tudo dentro dos padrões AIEE(agência fiscalizadora internacional para energia nuclear), o jornal-lixo da Marquês de Pombal com Riachuelo arregou e parou de brigar com os fatos, e divulga que o presidente dos EEUU admitiu que incentivou a mediação e a proposta brasileira.

Ora, isso estava óbvio até para os dementes. Qualquer acordo, no caso nuclear, é melhor que acordo nenhum. Porque acordos internacionais, mediados pela diplomacia(e não pelo peso do porrete), trazem e comprometem os atores, e possibilitam novos acordos e interações.

Mas o nosso PIG, impregnado até a alma da tarefa de realizar o que o partido só de bundões(psdb)não consegue fazer junto com os demos, ridicularizou e sapateou mais uma vez sobre a figura da presidência da República, e por que?

Ódio de classe. Simples, reto, afiado e destilado: O bom e velho ódio de classe. Ressentimento. Frustração. Inveja.
É possível aceitar que a direita(embora eu não tenha achado, até hoje, ninguém que se comporte como tal, e assuma isso)não concorde com o governo do Lula, com as teses do PT, com os diversos problemas éticos que enfrentamos, ou seja, com nossas escolhas e nossos projetos. Isso é DEMOCRACIA, e ponto final.

Mas o inaceitável é a expressão da oposição pela intolerância, preconceito e humilhação. Nenhum outro setor utiliza tanto a LIBERDADE DE EXPRESSÃO para menosprezar tanto a liberdade e a Democracia.

Isso artinge a mim, a você, quer dizer, nós.
NÓS, o zé-povinho, que como eu ganha menos de 5 salários mínimos, sempre trabalhou, não herdou nada, paga impostos, equilibra orçamento e come pizza uma vez ou duas por mês quando chega o pagamento.
Nós, que cada vez mais somos maioria, graças a maior movimentação sócio-econômica da História do capitalismo moderno, parecemos incomodar.
Nós queremos faculdade, pública ou privada. Queremos realizar o sonho de "formar" um filho ou filha.
Incomodamos nas agências dos bancos, que eram território proibido, a não ser a fila da água e luz, onde falar com o gerente e ter conta era símbolo de status e distinção.
Cometemos o pecado de querer andar de avião, com 150 reais a passagem para uma farofa em Porto Seguro na baixa temporada, e ocupamos um "espaço aéreo" que não era nosso. Berram o "caos aéreo".
Compramos nosso primeiro ou segundo carrinho, 1.0 e talvez 1.4, financiado, com suor, e continuamos a suportar uma alíquota de IPVA igual a quem anda de carruagens HI-LUX. Ainda assim, querem as ruas só para eles.
O zé povinho, como eu e você, que compra computador no crediário e no cartão(putz, cartão de crédito para "gentalha", aí eles morrem),e depois paga a mais cara conexão de internet do mundo(da "eficientíssima" telefonia privada)e ainda temos o "peito" de quebrarmos o monopólio da informação que eles detinham.
Eles não nos perdorão, nunca.

As lojas não dão conta de entregar nossas geladeiras duplex que não fazem gelo, e fogões que imitam aqueles de aço escovado que vemos nas novelas? Parem o consumo, subam os juros, alimentem a banca, olha o perigo da inflação.

Tudo isso incomoda essa gente, afinal, o que queremos ao pretendermos o "estilo" de vida da elite? Avacalhar o bom gosto? Tomar vinho? Comer algo além de costela ou acém? Falamos de boca cheia? É claro que sim, pois durante muito tempo tínhamos a boca e a barriga vazias. Não dá para aprender a etiqueta e bons modos sem comida na mesa.

Dia a dia, vai chegar o dia no qual exigiremos outras músicas, outros programas, outro jornalismo.
É assustador. Não somos um bando de Hommer Simpsons.
80% da população ignora o sistemático ataque ao presidente, e lhe confere a maior credibilidade(diferente de popularidade)da História.

O Lula odiado é a representação disso. NÓS VENCEMOS, NÓS ESTÁVAMOS CERTOS. O povo, a maioria é capaz de governar, não precisa anel, título ou sobrenome. Basta um SILVA. Chegamos, mostramos e transformamos. Aqui, e para eterno desgosto dessa plêiade de canalhas:
Somos admirados por isso pela elite internacional, que nos enxerga como oportunidade, e nunca uma ameaça. Um exemplo de sucesso. O Brazilian Way of Life.

Corruptos? Não menos que os especuladores da bolsa, como Madoffs e Lemans & Bros.
Violentos? Não menos que os super agentes da CIA e do FBI.
Malufs, garotinhos? Eles têm Sílvio Berlusconi.
Imperfeitos? Lógico.

Eu escrevo essas linhas tortas com nó na garganta, e aperto no peito. Eu choro de raiva!
Quando enxergo o ódio contra um torneiro mecânico, enxergo o ódio contra o que somos: professores, policiais, pedreiros, comerciários, bancários, enfermeiros, auxiliares de escrotório, motoboys, motoristas, industriários, e principalmente: gente desempregada, mas que enxerga alguma esperança, porque se enxerga no poder.
Aquela que eu quase perdi quando tinha que carregar caixas nas costas, e dirigir uma Kombi fazendo entrega para levar algum para dentro de casa.

Valeu ter acreditado e militado por quatro eleições. Nós tínhamos razão!

Regina Duarte não tinha razão para ter medo. Ou tinha? Medo deles mesmos?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

No varal do lamaçal.

Confira aí a luta do pessoal da FAETEC:

 
PARALISAÇÃO DE 24 HORAS
25 DE MAIO DE 2010

Com ato na Seplag às 10 HORAS
E Assembléia no Sind-Justiça às 12 HORAS.


Os servidores da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) realizarão uma paralisação de 24 horas no dia 25 DE MAIO e participarão de um ato do Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (MUSPE) na Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag). Trata-se do Dia dos Protocolos, quando, às 10 horas, protocolaremos nossa pauta de reivindicações. Logo em seguida, às 12 horas, numa ação intersindical, faremos nossa Assembléia no Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sind-Justiça), que fica praticamente ao lado da Seplag, na Travessa do Paço, 23, 13º andar – Centro.
O governo estadual segue com o completo descaso para com os servidores públicos estaduais (todos eles!), que amargam vários anos de perdas salariais e não têm seus direitos respeitados. Na Faetec, a despeito de uma enorme carência de servidores, desde 2002 não há concurso público para o ensino básico e para o ensino superior apenas um ocorreu até hoje, em 2005. Desde 2001, os servidores concursados para a Faetec não contam com Vale-Transporte. Para completar, em pleno ano eleitoral, o governador Sergio Cabral Filho ainda não se pronunciou sobre reajuste salarial! O governo deu míseros 12% de reajuste salarial em 2007 e 2008 (4% no primeiro e 8% no segundo desses dois anos), mas nossas perdas são muito maiores do que isso! Queremos 48% de reposição de perdas salariais! Queremos o pagamento dos nossos direitos trabalhistas! Por isso, vamos mostrar ao governo que não está tudo bem e que merecemos respeito!

Desrespeitar o servidor público é desrespeitar a população, que utiliza os serviços públicos!

O malufismo rosa.

Eu não ouvi toda a entrevista da prefeita no programa chapa branca que a prefeitura mantém na Rádio Educativa.

Nem mencionemos as inflexões de puxassaquismo explícito do candidato a jornalista.
Ressalte-se aqui que ao menos o secretário-radialista foi mais comedido, talvez envergonhado diante da sôfrega subserviência do "estagiário-bolsista-da-prefeitura". Só uma opinião ao staff de comunicação: Fica feio e exagerado, e não ajuda a imagem.

Mas deixemos essas perfumarias de lado e vamos a parte do conteúdo da própria fala da chefe do executivo local, que é o que melhor a define. Optemos pela leitura dos detalhes:

1. Qual é a novidade de uma cidade de 1.5 bilhão de orçamento fazer tantas obras? Ora, ora, ora, nenhuma. Aliás é essa uma relação de causa-efeito: tem obra, tem apoio de empreiteiro, logo, tem recurso para campanha. A questão é: Há controle nos gastos? Há discussão com a sociedade sobre as prioridades? Ou o "túmulo do samba", a "módicos" 70 milhões de reais é uma prioridade? Só se for prioridade para o Grupo Othon.
Na década de 70, Maluf tinha uma íntima relação com Murilo Mendes, da Mendes Júnior, que mandava e desmandava em São Paulo. Maluf construiu seu ethos político como "fazedor de obras", uma versão mais moderna do Adhemar de Barros, adepto do "rouba mas faz". O mesmo estilo que a prefeita parece querer copiar.

2. Logo em seguida, a prefeita faz confissão de culpa: a privatização da Educação se dá em regime de bis in idem, ou seja: paga-se bolsas a escolas particulares que usam o método "Expoente", e depois compra-se o método "Expoente" pela própria municipalidade;

3. O caso da Águas do Paraíba é outra aberração, e merece mais atenção nossa.
Sob a égide da defesa da "segurança jurídica contratual", a prefeita confessa que irá contratar empresa para suprir a fornecimento de água potável onde a concessionária não o fizer.
Alegação? Pacta sund servanda, ou: O pacto(contrato)submete a vontade das partes, ou ainda: o contrato é lei entre as partes.
Mas a prefeita parece pouco ambientada com os temas jurídicos, e nem deveria ser sua atribuição dominar os brocados de Direito. Mas há quem seja pago para isso, e inclusive, para orientar a prefeita a não falar tamanhas asneiras, ou do contrário, podemos imaginar que se trata de um desígnio doloso de lesão do Erário em nome da empresa privada de água e esgoto.Mas será que é isso? Não acredito.

Ora, ora, ora, qualquer segundo-periodista do curso de Direito sabe que contratos dacronianos não podem ser protegidos pelo princípio acima citado, e na outra ponta, ninguém pode enriquecer sem causa, e muito menos se beneficiar da própria torpeza. Multiplique-se esse conceito da esfera privada dos contratos para o interesse público. Em outras palavras: Águas do Paraíba come o "filé", e nós, contribuintes "roemos o osso".

Em que ordenamento jurídico se encontrará a defesa de um "contrato" que lesa de forma inequívoca o patrimônio público, e impede o acesso a um serviço altamente indispensável, como é o caso do fornecimento da água?
Se considerarmos que boa parte da ampliação da rede de água e tratamento de esgoto está sendo feito às custas de generosos empréstimos públicos do BNDES e incentivos do FUNDECAM, diríamos que vender água em Campos é como vender água no deserto. Aqui, o deserto da probidade e da dignidade pública.

A prefeita confessa, assim, que seu poder está submetido ao poder privado. Como é o caso das empresas de transporte, das terceirzadoras de merenda escolar, das ambulâncias, dos empreiteiros, enfim, ela é mera despachante de obras e serviços, e nunca exerce as escolhas de políticas públicas para as quais foi sufragada nas urnas.

Por derradeiro, como se já não bastasse, a prefeita nos dá um susto. Sua desinformação sobre os trâmites políticos da questão dos royalties é aterradora, e de certa forma explica porque ela teve que fazer tanto barulho e queimar tanto pneu, pois lhe faltava, e a sua equipe, preparo para representar nossos interesses.

Ora, quando o presidente Lula deixa a questão da divisão dos royalties para "depois" das eleições é justamente para evitar que o Rio sofra uma acachapante derrota, em um ano que os deputados estão de olho em qualquer possibilidade fazer "média" com seus eleitores. Uma vez eleita, Dilma Roussef com a força que a eleição confere ao início do mandato, com uma conformação favorável do Congresso, poderá dirimir a questão sem o assédio do apetite eleitoral dos congressistas. É tão óbvio que chega a doer os olhos. Mas a prefeita não vê, ou pior, não quer ver.
Depois a prefeita, que ouviu o galo cantar, mas não sabe aonde, misturou "ré com cré", ao falar da questão do marco regulatório, e da inciativa legislativa do governo Lula.
Foi o Lula que disse que não seria prudente misturar marco regulatório(definição do regime de concessão ou partilha)com divisão de royalties, e na verdade, o que aconteceu foi que a bancada que defende os interesses das empresas petrolíferas internacionais quis misturar as coisas para contrabandear a permanência do modelo atual de exploração, que entrega nossas reservas ao capital internacional.

Era de se esperar que a prefeita soubesse disso, afinal, seu grupo tem um deputado. Deputado? Ah, deve ser aquele que deseja barrar o processo legislativo com mandado de segurança, "fechando" o Congresso pelo tapetão do STF. Alíás, a prefeita também renovou sua "fé" no STF, em detrimento da atividade política. Triste não?

Como dissemos lá em cima, são as palavras dela que melhor a define.

Logo, o ressentimento que expressou com Lula e a "candidata dele" dá bem a dimensão que a frustração toma conta das hostes da Lapa, que vê o seu projeto político confinado aos grotões do Estado.

Mas com tanta incompetência, e tão nivelado por baixo, é de se espantar que tenham, algum dia, chegado tão longe.

Mas Democracia, enfim é isso: ter a liberdade de escolher o pior. Mas prefiro a Democracia.

Feliz 2013.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eleições no Rio/2010: Projeções de cenários, ou no popular: palpites!

Há diversos meios e instrumentos de leitura da realidade, e o que amplia a possibilidade de enxergá-la com clareza é aprender a conectar a complementaridade dessas ferramentas. Não há uma relativização absoluta da realidade política, ao contrário, ainda que as variáves sejam múltiplas, e às vezes, opostas, há sempre um eixo, um padrão por onde fluem os acontecimentos.

Hoje, pela manhã,  me dediquei a ler os sinais sobre a sucessão estadual. Todos eles apontam, sistematicamente, para um quadro improvável até bem pouco tempo atrás: Gabeira alcançando o segundo posto na disputa ao governo, estreitando as possibilidades de retorno do ex-governador Anthony Garotinho ao Palácio das Laranjeiras.

Não há nenhuma certeza de que esse quadro se consolidará, ainda mais pela imprevisibilidade que as eleições carregam. Mas aqui há o ponto de inflexão que gostaríamos de basear nossa "projeção de cenário", o popular "pitaco".

Essa eleição, mas do que qualquer outra, parece confinada a construção de um senso de continuísmo no eleitorado, e os Estados, salvo raras exceções, parecem contaminados pelo otimismo do eleitorado, proporcionado pelo efeito Lula, com bem diz o Marcos Coimbra do Vox Populi(leia no blog do Roberto Moraes).

Dito isso, parece que Cabral desfruta de boa vantagem, justamente, porque representa essa continuidade, e mais ainda: foi o primeiro a colar sua imagem no Presidente, enquanto o ex-governador se debatia contra ela.

Analisemos o fenômeno Garotinho um pouco mais longe no tempo, e lembremos de que foram suas opções, suas próprias opções que o isolaram, sempre.
Foi assim em 2000, quando execrou o PT que havia acabado de massacrar uma convenção estadual para lhe afiançar apoio, onde o Wladimir Palmeira foi a vítima do "rolo compressor" da Articulação(hoje CNB), pilotada pelo Zé Dirceu e pelo próprio Lula, que na época, como nos falou em um jantar no Pálace Hotel, apostava suas fichas na liderança popular do ex-governador.

Os mais simplistas reduzirão essa questão(as escolhas)ao viés da personalidade, ou do "personalismo". Esse componente pessoal é importante e relevantíssimo, mas não explica tudo. Nada explica tudo. Sem uma estrutura partidária que desse conta de alimentar o seu mito, na medida que sua figura egressa dos grotões do Norte Fluminense balançava as estruturas políticas de um dos Estados mais importantes da Federação, o ex-governador teve que suportar a si mesmo, ou seja: transformar-se em um exército e um homem só.
Paradoxalmente, essa é sua fonte de poder, mas sua limitação para vôos mais longos.

Ele é um outsider, mas de tanto sê-lo, ficou fora demais do jogo.

Na eleição desse ano, mais uma vez, o ex-governador fica refém do próprio personagem que tem que alimentar, para sobreviver politicamente.

Suas opções não são suas. A falta de opções é que lhe empurra para uma candidatura natimorta, e da qual poderá tirar pouco proveito. Um recuo é quase mortal. Continuar idem. No entanto, o crescimento de Gabeira, se não for uma bolha, ou um modismo carioquista zona sul, como tudo indica, pode lhe fornecer uma saída honrosa.

Explico:

Caso o Gabeira cresça, e os números apontem um segundo turno no Rio, pouco provável, é verdade, caberá ao Garotinho funcionar como fiel da balança. Mas aqui, de novo, outro problema: Seu eleitorado tende mais ao governador, do que para Gabeira, principalmente no interior, Baixada e outras regiões mais pobres, geralmente, mais refratárias a agenda ecológica e aos preconceitos contra o deputado demo-verde-tucano.

Assim, outra vez, o ex-governador está refém de o isolamento que ele próprio construiu.

Pode ser que no acordo com Cabral esteja a vaga de candidata a deputada para sua filha, e a cessação das perseguições ao seu mandato no PMDB.

Lembremos mais uma vez: a própria dúvida sobre a candidatura já demonstra a sua fraqueza, pois pergunto: alguém duvida que Dilma é candidata? Pois é. Há um tempo certo para que essa indecisão funcione a favor do candidato(a), que lhe dá tempo de ganhar musculatura sem o assédio dos adversários, funciona como uma vacina.
Mas no caso do ex-governador a dúvida já está na dose de veneno.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Não se esqueça e compareça.

Se o porco só engorda com o olho do dono, o dinheiro público só multiplica o bem estar coletivo sob os olhos de todos nós:


"1ª etapa: 20/5, 5ªf, 18:30, na Câmara de Vereadores de Campos (Av. Alberto Torres, 334, Centro) promoção: Movimento Nossa Campos e Observatório de Controle do Setor Público. apoio: PROEX/UENF, PROEX/IFF e Câmara de Vereadores.

Coordenação: Hamilton Garcia (LESCE-CCH/UENF)
Abertura: Almy Carvalho (Reitor da UENF), Cibele Monteiro (Reitora do IFF), Nelson Nahim (Presidente da CV de Campos) e Aurélio Lorenz (Diretor-Geral do OCSP).

Palestrantes: Rodrigo Neves (PT/RJ, Comissão de Desenvolvimento Regional da ALERJ) Marcelo Freixo (PSOL/RJ, Comissão de Direitos Humanos da ALERJ) Geraldo Coutinho (Diretor Regional da FIRJAN) Denise Terra (CEPECAM da UCAM) Eduardo Crespo (Diretor do FUNDECAM) Roberto Moraes (Pró-Reitor de Relações Institucionais do IFF)

Participação especial: Odisséia Carvalho (Vereadora do PT/Campos)
Debatedores: Rony Araújo (Executivo da PURAC) e Antônio Rangel (Petroleiro, ex-vereador do PT/Campos)."

terça-feira, 18 de maio de 2010

Lama cultural.

Eis aí, em homenagem aos que detestam o comportamento crítico, e os médicos-alienistas-alienados, que querem nos trancar na Casa Verde(e Rosa):


O homem de cabeça de papelão
João do Rio


No País que chamavam de Sol, apesar de chover, às vezes, semanas inteiras, vivia um homem de nome Antenor. Não era príncipe. Nem deputado. Nem rico. Nem jornalista. Absolutamente sem importância social.

O País do Sol, como em geral todos os países lendários, era o mais comum, o menos surpreendente em idéias e práticas. Os habitantes afluíam todos para a capital, composta de praças, ruas, jardins e avenidas, e tomavam todos os lugares e todas as possibilidades da vida dos que, por desventura, eram da capital. De modo que estes eram mendigos e parasitas, únicos meios de vida sem concorrência, isso mesmo com muitas restrições quanto ao parasitismo. Os prédios da capital, no centro elevavam aos ares alguns andares e a fortuna dos proprietários, nos subúrbios não passavam de um andar sem que por isso não enriquecessem os proprietários também. Havia milhares de automóveis à disparada pelas artérias matando gente para matar o tempo, cabarets fatigados, jornais, tramways, partidos nacionalistas, ausência de conservadores, a Bolsa, o Governo, a Moda, e um aborrecimento integral. Enfim tudo quanto a cidade de fantasia pode almejar para ser igual a uma grande cidade com pretensões da América. E o povo que a habitava julgava-se, além de inteligente, possuidor de imenso bom senso. Bom senso! Se não fosse a capital do País do Sol, a cidade seria a capital do Bom Senso!

Precisamente por isso, Antenor, apesar de não ter importância alguma, era exceção mal vista. Esse rapaz, filho de boa família (tão boa que até tinha sentimentos), agira sempre em desacordo com a norma dos seus concidadãos.

Desde menino, a sua respeitável progenitora descobriu-lhe um defeito horrível: Antenor só dizia a verdade. Não a sua verdade, a verdade útil, mas a verdade verdadeira. Alarmada, a digna senhora pensou em tomar providências. Foi-lhe impossível. Antenor era diverso no modo de comer, na maneira de vestir, no jeito de andar, na expressão com que se dirigia aos outros. Enquanto usara calções, os amigos da família consideravam-no um enfant terrible, porque no País do Sol todos falavam francês com convicção, mesmo falando mal. Rapaz, entretanto, Antenor tornou-se alarmante. Entre outras coisas, Antenor pensava livremente por conta própria. Assim, a família via chegar Antenor como a própria revolução; os mestres indignavam-se porque ele aprendia ao contrario do que ensinavam; os amigos odiavam-no; os transeuntes, vendo-o passar, sorriam.

Uma só coisa descobriu a mãe de Antenor para não ser forçada a mandá-lo embora: Antenor nada do que fazia, fazia por mal. Ao contrário. Era escandalosamente, incompreensivelmente bom. Aliás, só para ela, para os olhos maternos. Porque quando Antenor resolveu arranjar trabalho para os mendigos e corria a bengala os parasitas na rua, ficou provado que Antenor era apenas doido furioso. Não só para as vítimas da sua bondade como para a esclarecida inteligência dos delegados de polícia a quem teve de explicar a sua caridade.

Com o fim de convencer Antenor de que devia seguir os tramitas legais de um jovem solar, isto é: ser bacharel e depois empregado público nacionalista, deixando à atividade da canalha estrangeira o resto, os interesses congregados da família em nome dos princípios organizaram vários meetings como aqueles que se fazem na inexistente democracia americana para provar que a chave abre portas e a faca serve para cortar o que é nosso para nós e o que é dos outros também para nós. Antenor, diante da evidência, negou-se.

— Ouça! bradava o tio. Bacharel é o princípio de tudo. Não estude. Pouco importa! Mas seja bacharel! Bacharel você tem tudo nas mãos. Ao lado de um político-chefe, sabendo lisonjear, é a ascensão: deputado, ministro.

— Mas não quero ser nada disso.

— Então quer ser vagabundo?

— Quero trabalhar.

— Vem dar na mesma coisa. Vagabundo é um sujeito a quem faltam três coisas: dinheiro, prestígio e posição. Desde que você não as tem, mesmo trabalhando — é vagabundo.

— Eu não acho.

— É pior. É um tipo sem bom senso. É bolchevique. Depois, trabalhar para os outros é uma ilusão. Você está inteiramente doido.

Antenor foi trabalhar, entretanto. E teve uma grande dificuldade para trabalhar. Pode-se dizer que a originalidade da sua vida era trabalhar para trabalhar. Acedendo ao pedido da respeitável senhora que era mãe de Antenor, Antenor passeou a sua má cabeça por várias casas de comércio, várias empresas industriais. Ao cabo de um ano, dois meses, estava na rua. Por que mandavam embora Antenor? Ele não tinha exigências, era honesto como a água, trabalhador, sincero, verdadeiro, cheio de idéias. Até alegre — qualidade raríssima no país onde o sol, a cerveja e a inveja faziam batalhões de biliosos tristes. Mas companheiros e patrões prevenidos, se a princípio declinavam hostilidades, dentro em pouco não o aturavam. Quando um companheiro não atura o outro, intriga-o. Quando um patrão não atura o empregado, despede-o. É a norma do País do Sol. Com Antenor depois de despedido, companheiros e patrões ainda por cima tomavam-lhe birra. Por que? É tão difícil saber a verdadeira razão por que um homem não suporta outro homem!

Um dos seus ex-companheiros explicou certa vez:

— É doido. Tem a mania de fazer mais que os outros. Estraga a norma do serviço e acaba não sendo tolerado. Mau companheiro. E depois com ares...

O patrão do último estabelecimento de que saíra o rapaz respondeu à mãe de Antenor:

— A perigosa mania de seu filho é por em prática idéias que julga próprias.

— Prejudicou-lhe, Sr. Praxedes?

Não. Mas podia prejudicar. Sempre altera o bom senso. Depois, mesmo que seu filho fosse águia, quem manda na minha casa sou eu.

No País do Sol o comércio ë uma maçonaria. Antenor, com fama de perigoso, insuportável, desobediente, não pôde em breve obter emprego algum. Os patrões que mais tinham lucrado com as suas idéias eram os que mais falavam. Os companheiros que mais o haviam aproveitado tinham-lhe raiva. E se Antenor sentia a triste experiência do erro econômico no trabalho sem a norma, a praxe, no convívio social compreendia o desastre da verdade. Não o toleravam. Era-lhe impossível ter amigos, por muito tempo, porque esses só o eram enquanto. não o tinham explorado.

Antenor ria. Antenor tinha saúde. Todas aquelas desditas eram para ele brincadeira. Estava convencido de estar com a razão, de vencer. Mas, a razão sua, sem interesse chocava-se à razão dos outros ou com interesses ou presa à sugestão dos alheios. Ele via os erros, as hipocrisias, as vaidades, e dizia o que via. Ele ia fazer o bem, mas mostrava o que ia fazer. Como tolerar tal miserável? Antenor tentou tudo, juvenilmente, na cidade. A digníssima sua progenitora desculpava-o ainda.

— É doido, mas bom.

Os parentes, porém, não o cumprimentavam mais. Antenor exercera o comércio, a indústria, o professorado, o proletariado. Ensinara geografia num colégio, de onde foi expulso pelo diretor; estivera numa fábrica de tecidos, forçado a retirar-se pelos operários e pelos patrões; oscilara entre revisor de jornal e condutor de bonde. Em todas as profissões vira os círculos estreitos das classes, a defesa hostil dos outros homens, o ódio com que o repeliam, porque ele pensava, sentia, dizia outra coisa diversa.

— Mas, Deus, eu sou honesto, bom, inteligente, incapaz de fazer mal...

— É da tua má cabeça, meu filho.

— Qual?

— A tua cabeça não regula.

— Quem sabe?

Antenor começava a pensar na sua má cabeça, quando o seu coração apaixonou-se. Era uma rapariga chamada Maria Antônia, filha da nova lavadeira de sua mãe. Antenor achava perfeitamente justo casar com a Maria Antônia. Todos viram nisso mais uma prova do desarranjo cerebral de Antenor. Apenas, com pasmo geral, a resposta de Maria Antônia foi condicional.

— Só caso se o senhor tomar juízo.

— Mas que chama você juízo?

— Ser como os mais.

— Então você gosta de mim?

— E por isso é que só caso depois.

Como tomar juízo? Como regular a cabeça? O amor leva aos maiores desatinos. Antenor pensava em arranjar a má cabeça, estava convencido.

Nessas disposições, Antenor caminhava por uma rua no centro da cidade, quando os seus olhos descobriram a tabuleta de uma "relojoaria e outros maquinismos delicados de precisão". Achou graça e entrou. Um cavalheiro grave veio servi-lo.

— Traz algum relógio?

— Trago a minha cabeça.

— Ah! Desarranjada?

— Dizem-no, pelo menos.

— Em todo o caso, há tempo?

— Desde que nasci.

— Talvez imprevisão na montagem das peças. Não lhe posso dizer nada sem observação de trinta dias e a desmontagem geral. As cabeças como os relógios para regular bem...

Antenor atalhou:

— E o senhor fica com a minha cabeça?

— Se a deixar.

— Pois aqui a tem. Conserte-a. O diabo é que eu não posso andar sem cabeça...

— Claro. Mas, enquanto a arranjo, empresto-lhe uma de papelão.

— Regula?

— É de papelão! explicou o honesto negociante. Antenor recebeu o número de sua cabeça, enfiou a de papelão, e saiu para a rua.

Dois meses depois, Antenor tinha uma porção de amigos, jogava o pôquer com o Ministro da Agricultura, ganhava uma pequena fortuna vendendo feijão bichado para os exércitos aliados. A respeitável mãe de Antenor via-o mentir, fazer mal, trapacear e ostentar tudo o que não era. Os parentes, porem, estimavam-no, e os companheiros tinham garbo em recordar o tempo em que Antenor era maluco.

Antenor não pensava. Antenor agia como os outros. Queria ganhar. Explorava, adulava, falsificava. Maria Antônia tremia de contentamento vendo Antenor com juízo. Mas Antenor, logicamente, desprezou-a propondo um concubinato que o não desmoralizasse a ele. Outras Marias ricas, de posição, eram de opinião da primeira Maria. Ele só tinha de escolher. No centro operário, a sua fama crescia, querido dos patrões burgueses e dos operários irmãos dos spartakistas da Alemanha. Foi eleito deputado por todos, e, especialmente, pelo presidente da República — a quem atacou logo, pois para a futura eleição o presidente seria outro. A sua ascensão só podia ser comparada à dos balões. Antenor esquecia o passado, amava a sua terra. Era o modelo da felicidade. Regulava admiravelmente.

Passaram-se assim anos. Todos os chefes políticos do País do Sol estavam na dificuldade de concordar no nome do novo senador, que fosse o expoente da norma, do bom senso. O nome de Antenor era cotado. Então Antenor passeava de automóvel pelas ruas centrais, para tomar pulso à opinião, quando os seus olhos deram na tabuleta do relojoeiro e lhe veio a memória.

— Bolas! E eu que esqueci! A minha cabeça está ali há tempo... Que acharia o relojoeiro? É capaz de tê-la vendido para o interior. Não posso ficar toda vida com uma cabeça de papelão!

Saltou. Entrou na casa do negociante. Era o mesmo que o servira.

— Há tempos deixei aqui uma cabeça.

— Não precisa dizer mais. Espero-o ansioso e admirado da sua ausência, desde que ia desmontar a sua cabeça.

— Ah! fez Antenor.

— Tem-se dado bem com a de papelão? — Assim...

— As cabeças de papelão não são más de todo. Fabricações por séries. Vendem-se muito.

— Mas a minha cabeça?

— Vou buscá-la.

Foi ao interior e trouxe um embrulho com respeitoso cuidado.

— Consertou-a?

— Não.

— Então, desarranjo grande?

O homem recuou.

— Senhor, na minha longa vida profissional jamais encontrei um aparelho igual, como perfeição, como acabamento, como precisão. Nenhuma cabeça regulará no mundo melhor do que a sua. É a placa sensível do tempo, das idéias, é o equilíbrio de todas as vibrações. O senhor não tem uma cabeça qualquer. Tem uma cabeça de exposição, uma cabeça de gênio, hors-concours.

Antenor ia entregar a cabeça de papelão. Mas conteve-se.

— Faça o obséquio de embrulhá-la.

— Não a coloca?

— Não.

— V.EX. faz bem. Quem possui uma cabeça assim não a usa todos os dias. Fatalmente dá na vista.

Mas Antenor era prudente, respeitador da harmonia social.

— Diga-me cá. Mesmo parada em casa, sem corda, numa redoma, talvez prejudique.

— Qual! V.EX. terá a primeira cabeça.

Antenor ficou seco.

— Pode ser que V., profissionalmente, tenha razão. Mas, para mim, a verdade é a dos outros, que sempre a julgaram desarranjada e não regulando bem. Cabeças e relógios querem-se conforme o clima e a moral de cada terra. Fique V. com ela. Eu continuo com a de papelão.

E, em vez de viver no País do Sol um rapaz chamado Antenor, que não conseguia ser nada tendo a cabeça mais admirável — um dos elementos mais ilustres do País do Sol foi Antenor, que conseguiu tudo com uma cabeça de papelão.


João do Rio foi o pseudônimo mais constante de João Paulo Emílio Coelho Barreto, escritor e jornalista carioca, que também usou como disfarce os nomes de Godofredo de Alencar, José Antônio José, Joe, Claude, etc., nada ou quase nada escrevendo e publicando sob o seu próprio nome. Foi redator de jornais importantes, como "O País" e "Gazeta de Notícias", fundando depois um diário que dirigiu até o dia de sua morte, "A Pátria". Contista romancista, autor teatral (condição em que exerceu a presidência da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, tradutor de Oscar Wilde, foi membro da Academia Brasileira de Letras, eleito na vaga de Guimarães Passos. Entre outros livros deixou "Dentro da Noite", "A Mulher e os Espelhos", "Crônicas e Frases de Godofredo de Alencar", "A Alma Encantadora das Ruas", "Vida Vertiginosa", "Os Dias Passam", "As religiões no Rio" e "Rosário da Ilusão", que contém como primeiro conto a admirável sátira "O homem da cabeça de papelão". Nascido no Rio de Janeiro a 05 de agosto de 1881, faleceu repentinamente na mesma cidade a 23 de junho de 1921.

De médico e hirano, todo mundo tem um pouco.

A fala do secretário-hiroshima-de-saúde(terra arrasada) é um sintoma grave do descontrole dos auxiliares da prefeita, o que nos leva a supor que o descontrole vem mais de cima, e portanto, contagioso.

Brincadeiras à parte, ela demonstra o recorrente desapego a Democracia, e o viés nazi-fascista que impregna o discurso do pessoal da Lapa. Na desqualificação permanenente do "outro", ou seja, do interlocutor-opositor, jaz um desejo de eliminação "quase-física" desse adversário, caso fosse possível.
Se vivesse na Alemanha de Hitler, com certeza estaria na equipe de Joseph Mengele, o Anjo da Morte. Ali, naqueles "consultórios" de Auschwitz, o princípio era o mesmo: Moldar o "outro" a sua imagem e semelhança e acabar com a diferença, nesse caso, levado à cabo como "experiência médica".
A "solução final" do secretário-hiroshima é no campo político, e todos que não se parecem com o que ele, ou o grupo do qual é preposto, entende como verdade, estão loucos, e portanto, não servem ao convívio.

Mais grave é enxergar essa fala em alguém que deveria primar pelo equilíbrio, ainda que açodado pela pior das crises, afinal, é isso que esperamos de médicos. E eles se vestem de branco não é à toa: É um símbolo de vitória contra a morte.
Mas com essa fala, o "doutor" encardiu ainda mais seu jaleco.

Nem toquemos na questão do preconceito, inaceitável por quem tem o dever de ofício de lidar com todas as limitações humanas, e a elas proporcionar algum conforto.

Eu prefiro Shakespeare: "Os loucos, os poetas e os amantes estão cheios de imaginação".

Fecha a conta e passa a régua.

Não adianta as viúvas do FFHHCC, o PIG, e ou neoudenistas de plantão espernearem.

Dilma fatura no primeiro turno. E no apurar das urnas, com diferença entre 10 e 12 pontos percentuais.

Mas é como isso?

A planície lamacenta não para de nos surpreender. Quando você acha que já viu tudo, que tudo não pode piorar, eis que brota dos grotões mais algum exemplo da nossa forma edificante de fazer política.

Ora, cada qual é livre para manifestar seu pensamento sobre esse ou aquele político, ressalvados os crimes que maculem a honra alheia.

Mas eu pergunto: servidores públicos(departamento de juventude da prefeitura), pagos com nosso dinheiro, em cima de trio elétrico(pago sabe-se lá com dinheiro de quem)para fazer manifestação de desagravo a correligionário vereador é o último da excrescência, ou não?

Será que a procuradoria do município, ou a secretaria de recursos humanos e administração tomarão alguma providência para coibir tamanha infração administrativa?

Será que o trio elétrico é de propriedade de algum empresário que contrata com a PMCG? E se for, será que ele "emprestou"? E se emprestou, o que ele espera em "troca"? Caso contrário, quem pagou o aluguel do trio?

Bom, pelo jeito é mais um episódio que entrará para os anais da história de uma terra-sem-lei.

De volta do exílio.

Após dois dias de descompressão na "câmara hiperbárica" da cidade poema, voltamos às nossas atividades. Mudou algo? Claro, cada dia que passa a lama apodrece mais na planície. Mas há também as boas novas. Leiam aí o que garimpei na "ronda virtual":

terça-feira, 18 de maio de 2010

Ensaio aberto com os Avyadores


Mostrando que aos 28 anos de carreira estão buscando cada vez mais a inovação e aproximação com seu público, os Avyadores do Brazyl realizam neste sábado (dia 22) o seu primeiro ensaio aberto, a partir das 15h30 no Espaço da Bola, localizado na rua Formosa nº1000, que fica entre o bar Bodegas e o recém inaugurado bar Liverpool.
A proposta com esta novidade para Campos é aproximar o público com os integrantes da banda e aferir o repertório atual com quem estiver assistindo a apresentação.
— Vamos ter a oportunidade de sentir de perto o gosto o público com algumas músicas, sem o status de show. Será uma troca de experiências interessante e bem informal — explica Luiz Ribeiro, líder e fundador dos Avyadores.
Outro que está bastante entusiasmado com a novidade é o guitarrista Sérgio Máximo, também um dos fundadores do grupo. Ele adianta que o repertório está sendo estudado com bastante carinho, afim de agradar em cheio.
— Estamos com um repertório novo e queremos mostrar para esse público que nos acompanha há tempos. Ainda temos alguns ajustes a fazer e ele vai ser nosso termômetro — revela Máximo.
O ensaio aberto acontece a partir das 15h30 e completam ainda a “tripulação” dos Avyadores do Brazyl o baterista Junior Silva e o baixista Sérvulo Sotto.

sábado, 15 de maio de 2010

Ah, então tá.

Desfeito o mistério, podemos todos "dormir sossegados".

O deputado federal Pudim será o coordenador da campanha do "chefe" ao governo do Estado e candidato a reeleição ao cargo parlamentar.

Aí sim  que o fogo amigo vai começar, porque, pelo andar da carruagem, nem campanha para governador existirá, e muito menos, chance de reeleição para o nobre deputado.

Do jeito que a coisa anda, em 2011, algum secretário municipal vai ter que levantar da cadeira para acomodar o futuro ex-deputado.

Humor de lama.

Laerte e os Piratas do Tietê. Sem comentários

Preguiça.

Esse é o ritmo atual do blog. Leseeeeira da gota. Vamos assim, arrastando os chinelinhos, para "não quebrar na solda".

Tudo isso misturado ao eterno fastio que essa planície e suas iniqüidades provocam. Esperem aí, que eu vou ali ser feliz e já volto.

De novo?

Nas eleições de 2008 foi a "demissão" da rádio Diário. Já teve greve de fome. Invasão da SMEC, incêndio em depósito de material escolar.
Agora, nova demissão de outra rádio.

Por que o ex-governador não cessa a mania de achar que todos são idiotas? Será que o desrespeito pelo seu eleitor é tanto, que qualquer historinha serve para maquiar a cara feia da realidade de bafeja seu cangote?

Como já disse, e repito, a candidatura ao governo do Estado já nasceu morta.
Se muito, candidatura a deputado estadual, para tentar a prefeitura em 2012, e dominar a cidade na Copa e Olimpíada.
Na Alerj seu arsenal funcionaria bem contra o governador-leblon.

Garotinho pode até ser parecido com napoleão, mas não é de jogar dinheiro fora. Campanha a governo do estado custa caro, e ele sabe disso. Ainda mais sem tempo de TV.

Enxugando gelo.

Aí estão, como já foi publicado pelo blog do Cláudio Andrade e Ricardo André, as polícias civil e militar, combatendo o "narcotráfico".

Piada de mau gosto, e com nosso dinheiro.

É como tentar derrubar um bombardeiro B52 com um estilingue, ou melhor:

Imagine que beber cerveja fosse tornado ilegal, e as forças de segurança atacassem as biroscas e aprendessem os vasilhames, enquanto fábricas, valores financeiros, insumos e toda a cadeia produtiva permanecesse intacta.

Nessa operação, só uma novidade:

Como os moradores da comunidade, chamada de "Portelinha"(por causa de uma novela da Globo), vivem em unidades urbanizadas, não dá mais para chutar a porta do barraco, tem que ser com mandado judicial, pelo menos isso!

É nessas horas que tenho pena de mim mesmo, e me envergonho da profissão que escolhi.

Mas quer saber?
No fim, todo mundo fica feliz, o jornal vende, a classe média acha que atacar a favela dá segurança, as autoridades se autopromovem, o varejo do tráfico se "recicla"(com a prisão/morte de uns para ascensão de outros), o mundo roda, a engrenagem se move, e a máquina tilinta e registra.
Todo mundo feliz.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Salve, salve nossa classe média.

Eis que após um enorme hiato, um de meus blogs prediletos retorna. Trata-se do Classe Média Way of Life.
Leiam o ótimo texto aí embaixo, e divirtam-se(bom, pelo menos essa era a minha intenção):

quinta-feira, 8 de abril de 2010


dica 044 - Fazer um "sacrifício" na sexta-feira santa


A Classe Média brasileira, como se sabe, tem muito orgulho de sua formação religiosa baseada no catolicismo. Médio-classista que se preze é católico. Católico pra cacete. É católico até quando é espírita. Por isso, mesmo sabendo que catolicismo não é lá algo que se pratique, o aspirante à classe deve estar atento aos poucos momentos em que é necessário provar à sociedade a sua fé: os feriados religiosos.

A sexta-feira santa, ou sexta-feira da paixão, simboliza para os cristãos a lembrança da imolação e morte de Jesus, o filho de Deus para os seguidores dessa fé. A tradição católica prega que, por ter Jesus sofrido muito, todo mundo precisa dar uma sofridinha junto nesse dia, como forma de gratidão e, quem sabe, solidariedade para com o cara.

Para padronizar a coisa toda, algum figurão da Igreja definiu que a penitência a que os fiéis deveriam se submeter, seria se abster do consumo de carne vermelha. A razão disso tem muitas explicações, e nenhuma faz lá muito sentido (coisas do tipo “Jesus sangrou, portanto você não pode comer algo que tenha sangue”). Aí um espertinho, provavelmente um advogado, descobriu uma brecha na lei: peixe não tem sangue (infelizmente não tive acesso à defesa técnica deste achado biológico). Pronto: aceito o argumento, juridicamente, peixe poderia ser comido na tal sexta-feira, sem maiores conseqüências.

Deste ponto em diante, o que se seguiu foi a tradição. Desde então, o dia em que Jesus morreu, se arrebentou e se ferrou dependurado numa cruz é lembrado pelos médio-classistas católicos com muito pesar. Tanto pesar que lhes faz optar por fazer uma penitência pessoal: ao invés de comer um bife ou uma almôndega, o médio-classista, em respeito ao seu deus, contenta-se em se fartar de uma bacalhoada montanhesca, banquetes de frutos do mar, vinho branco a rodo, mais peixe, mais frutos do mar, moqueca, mariscada... Afrouxando o cinto, cabe mais camarão, um pouco de lagosta, peixe ensopado, peixe grelhado, peixe frito. 

Ao fim dessa santa orgia gastronômica, todos podem se bendizer e se orgulhar por honrarem aquele que morreu para lhes proporcionar o direito a esta singela refeição. E você, bom aprendiz de médio-classista, acompanhe-os num animado "pai nosso". E depois, reconheça: a morte do "Jéza" até que valeu à pena.



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Postado por Pierre do Brasil às 23:24

Sepulcro caiado.

Beira ao escárnio. Em qualquer via pública, em qualquer horário, é possível ver uma das carroças da Viação Tamandaré enguiçadas ou bufando CO² em quantidade para criar nosso prórpio efeito estufa na cidade.

Agora, com o rio de dinheiro público que subvenciona seus lucros, o concessionário, "ciente" de suas responsabilidades na prestação de um serviço tão essencial, o transporte, decidiu dar uma pinturinha nas carroças que insiste em chamar de ônibus.

Tem uns grafismos com imagens de Campos dos Goytacazes, como uma plataforma, a catedral e outra que não me recordo.

É mais ou menos como aqueles adesivos "ame-o ou deixe-o", da década de 70. Como sabemos, o patritortismo, assim como o bairrismo, é o último refúgio dos canalhas.

Só isso explica tamanho cinismo, ao projetar imagens de nossa cidade em sucatas velhas e perigosas,
Pensando bem, por outro lado, pode ser um protesto bem humorado. É, pode ser, vai ver eu é que não entendi nada.

Eu fico a imaginar: Onde está a promotoria de interesses difusos que não argüi a inconsistência do serviço essencial prestado, sem mencionar o fato de que não há nenhum controle confiável no repasse do NOSSO dinheiro? Será que nossos interesses difusos estão confusos?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Humor de lama.






















Mais uma do Alan Sieber.

Humor de lama.

Essa é para aqueles que ainda acreditam. Do Alan Sieber.

O passeio da Dengue.

Em 1990, esse blogueiro fez um concurso público para a CEDAE, e foi aprovado, mas não classificado entre as vagas disponíveis.
Lá pelos idos dessa época, grassava em Campos dos Goytacazes um dos surtos de dengue, e embora se conhecessem, cientificamente, as quatro cepas do vírus causador da infecção, só dois tipos eram inoculados pelo vetor transmissor, o aedes aegypti, e as coisas pareciam mais fáceis. Mas pode ser que o trabalho fosse mais eficiente, não sei.

A forma de convocação dos servidores que trabalhariam, emergencialmente, em campo, para o combate ao vetor foi criativa e universalista.Nosso trabalho incluía um apurado processo de verificação de focos e tratamento, com aplicação larvicida e destruição dos chamados recipientes especiais, ou seja, tudo que acumulasse água. O trabalho complementar era realizado por aspersão, com a aplicação de inseticida, na época do tipo malathion(se eu não me engano a base de fósforo, hoje pouco recomendado pela toxicidade), quer seja em unidades motorizadas, quer seja com bombas costais, tipo Hatsuta.
 
A antiga SUCAM, depois FNS, e agora FUNASA treinou, supervisionou e pagou, com verba federal, os guardas de endemia, com éramos chamados, ou mata-mosquitos, como a população nos reconhecia.

A bandeira amarela nos portões, giz azul para marcar as casas, boletim de visita na porta do banheiro, cubagem de poços e caixas d'água, larvicida, destruição de depósitos artificiais(plásticos, tampas, latas, e todo o lixo que as pessoas adoram manter em casa, sabe-se lá  por quê), e por fim, o melhor: a educação sanitária, quando conversávamos com os moradores, e não raro, o papo era regado a bolo e café. As turmas ficavam vários ciclos no mesmo bairro e quarteirão. Estreitávamos os laços com os moradores, ganhávamos confiança e, aos poucos, mudávamos hábitos sanitários.

Dessa época, deixei alguns amigos, uma histórica luta e mobilização pela regulamentação da profissão, com a criação de vínculos perenes e não sazonais, e a conquista de condições de trabalho mais salubres.
Hoje ainda encontro alguns companheiros remanescentes da SUCAM, agora vinculados a municipalidade, com o CCZ.

Disso tudo, tudo mudou. E para pior. Com a descoberta da teoria de emergencialidade, e os "benefícios" que o tal "estado de permanente emergência" pode trazer, tanto na compra de bens, quanto no recrutamento se serviços, a dengue só recrudesceu, e se tornou uma tragédia da saúde pública.

Nesse contexto de catástrofe recorrente, que ceifa, ano sim, outro também, centenas de vidas, pontua a iniqüidade. Especialistas ganham notoriedade, escrevem livros, bebem coquetéis, e solução mesmo, nada. Porque é óbvio, nessa luta, não há heróis, o esforço tem que ser comunitário, na completa acepção do significado dessa palavra.

Semana passada, em São Fidélis, enquanto adimplia minhas horas de serviço público, pude escutar uma conversa de um contribuinte com a atendente, e esse relatou que sua filha estava no HFM, na UTI, e na sua rua havia 06 soropositivos para o vírus da dengue.

Logo me ocorreu que a perspectiva de tragédia esse ano pode ser muito pior, na medida que a "região metropolitana" de Campos dos Goytacazes começa a ser flagelada pelo novo surto, e como todos sabemos, esses casos irão dar carga extra a nossa já falida estrutura de atendimento público de saúde.

Se observarmos as epidemias de dengue, em uma série histórica, veremos que elas se deslocam de forma quase cíclica, na medida que nos períodos emergenciais, as medidas de combate se intensificam, e "empurram" as condições de incidência para as regiões que "relaxaram" nas ações preventivas.
 Ano de 2008/2009 os surtos se deslocaram para região nordeste(Bahia) e centro-oeste(Goiás e Mato Grosso), e vem "descendo", como uma espiral, tocando áreas do enclave MG, ES e RJ.

Lógico que há fatores climáticos e exógenos que aprofundam a incidência, mas, fundamentalmente, a dengue é um problema de saúde pública calcado em alguns pilares: saneamento, coleta e tratamento do lixo, ações sanitárias perenes(visitas dos agentes, com tratamento e fiscalização de focos) e por último, ação coercitiva do Estado(municípios)para impor as soluções de prevenção, com autuação dos infratores, que colocam em risco a vida dos vizinhos.

No âmbito estadual e federal estão as ações de articulação e integração dos esforços regionais, com o estabelecimento de poíticas públicas permanentes, encarando o problema de forma sistêmica, ou seja: não podemos falar em epidemia, mas tratar a questão como endemia.

É preciso entender, de uma vez por todas, que o que se diz na propaganda de educação sanitária(que a dengue é um problema de todos), deve ser aplicada na esfera de governos. De nada adianta deslocar a dengue pelo país, pois a vida de um goiano vale tanto quanto a de um de nós, e até porque, no outro ano, chega a nossa vez.

Esse detalhe faz toda a diferença no que importa: salvar vidas.

Em Campos dos Goytacazes, ao que parece, estamos incubando nossa tragédia para esse ano.

Dia 14 de maio, hoje.

O blog Outros Campos lembrou bem. Pois então corrijamos nosso calendário e distorçamos nossa própria história, e quem sabe assim possamos nos beneficiar de nossa torpeza, sem qualquer culpa cristã.

Abolição, que abolição?

Se ainda há pouco alguns escravos foram "alforriados" pelo Ministério do Trabalho.
As senzalas(cadeias)continuam cheias de negros, assim como nossos camburões, versão moderna de navio negreiro, como cantou o preto Falcão.

Então fica combinado: Nada de lembrar do que não houve. Estamos ainda longe da abolição, e nossos útlimos tigres morreram faz mais de cem anos.

Poemas de lama!

Em plena madrugada, aí vai mais um poeminha chinfrim.


O amor em todos os sentidos.

Nem todo amor é cego. 

Alguns são estrábicos:
Vêem o ser amado em dobro.

Outros são míopes:
Têm que ver o ser amado bem de perto.

Há os astigmáticos:
Só enxergam o amor quando já está longe!

Outros têm fotofobia:
Só podem ver seu amor no escurinho.

Existem ainda os daltônicos,
Incapazes de perceber todas as cores do amor.

Mas o amor mais cego
É o que me olha,
E finge que não me vê!


O meu consolo é que,
Se meu amor for verdadeiro,
e for, verdadeiramante, cego,
Teremos que aprender a decifrar nossos corpos 
Nús em pelo.
Pelo tato, 
Pelo cheiro, 
Pelo gosto,
Pelo ruído,
Gemido,
Pelo gozo.




Douglas da Mata, em 13 de maio de 2010.
O dia da minha abolição.

Atualizado para alterar e incluir a audição.

Uma boa peleja.

A vereadora Odisséia do PT apontou suas baterias para o gabinete da prefeita. Esta, por sua vez, estrilou e ameaçou com processos.
Tudo bem, tudo bem, esse pessoal honrado da lapa deve preservar seu maior "patrimônio", afinal eles só têm uma casinha na Lapa, uma  linha de telefone e um carro usado.

Mas a prefeita provaria mesmo, com todo ardor, a sua tese de suposta inocência caso liberasse sua bancada para aprovar uma CPI dos Royalties, ou da Saúde, ou da Educação, ou do Transporte, ou qualquer outra área.

A prefeita poderia escolher como provar aquilo que alega: que foi ofendida em sua honra, pois de jeito nenhum ela estaria contribuindo para arrecadar recursos para a pré-campanha do marido.

Nós não temos motivos para desconfiar da prefeita, ou temos?
Por vias das dúvidas, diz o ditado: quem não deve não teme. E agora que a discussão dos royalties no Congresso arrefeceu, que tal a CPI para apurar os "fatos indeterminados" sobre royalties, campanhas e otras cositas más?