terça-feira, 20 de setembro de 2016

A caça ao cidadão e ao cheque: Com inimigos desses, o napô da lapa nada de braçada...

Segue a sanha criminalizadora da política varrendo a planície de lama...

A bordo do discurso moralista e hipócrita mais escroto possível, adversários dos patetas da lapa dão a munição que falta para que o candidato governista deslanche no fim do pleito...

Ao tentar transformar o ataque ao cheque-cidadão em pièce-de-résistance da artilharia dos candidatos órfãos do napô, e do candidato coxinha-vigilante-golpista, o pig local confere ao eleitorado mais pobre a coesão necessária para formar um horda de vítimas, justamente o terreno emocional que o napô e os marqueteiros adoram...

Se tinham dúvidas sobre votar no governo, agora detêm certeza, baseados na crença de que há um lado dos ricos (a oposição) e o lado dos pobres (o governo)...

Nada como um bom plebiscito...

Se a estratégia de pulverizar candidaturas poderia (ou pode) levar o pleito para um segundo turno, com certeza o bombardeio de preconceitos e lugares-comuns (e claro, desinformação) sobre benefícios concedidos vai no sentido inverso...

E não se trata de renunciar, como eu já mencionei, a fiscalização e correção dos mal feitos na concessão dos benefícios...

O tom dado pelos cretinos do pig não disfarça que não se trata de uma crítica, ou uma ação para moralizar ou melhorar a distribuição dos recursos, mas sim acabar com aquilo que consideram "fisiologismo"...

Quer dizer, dinheiro para pobre é fisiologismo, mas para rico é "subsídio, incentivo ou política de desenvolvimento"...

Durante anos o pig local quase rasgou o c* pedindo dinheiro para instalar empresas no Açu, em Barra do Furado, e em outras paragens...

Lembram da Schultz, da Usina Cana Brava, da Fábrica de Sucos Bela Joana? 

Pois é, o verbo esteve alugado com força ao despejo e desperdício de toneladas de dinheiro público que não deu o menor retorno...

Analistas "sérios", "economistas" e outras espécies de imbecis cantaram a ladainha por meses e até anos...

Esse pessoal rezou aos pés do governo estadual, que deu grana com força, e hoje está quebrado, sem receita que renunciou antes...

E cadê os impostos indiretos que seriam gerados na cadeia produtiva?

Cadê os empregos?

Bando de loroteiros...

E agora se voltam contra uns trocados empregados na assistência ao mais pobres... 

domingo, 18 de setembro de 2016

Nova York tem 29 feridos após explosão...

A mídia internacional ainda não tem ideia de quem estaria por trás dos ataques (embora o cretino do trump já tenha falado as asneiras de sempre)...

O que se sabe é que a explosão foi deliberada...

Leia aqui, aquiaquiaqui ou aqui...

De acordo com a reportagem da Al Jazeera e dos outros veículos, foi encontrado próximo oo local da explosão um artefato caseiro feito com uma panela de pressão e um telefone celular, possivelmente utilizado como detonador remoto...

Horas mais cedo, um outro artefato explodiu próximo a um evento esportivo, uma corrida em apoio aos fuzileiros navais...

Autoridades locais não fizeram nenhuma vinculação a grupos terroristas conhecidos, até o momento...


Cheque-cidadão: A verdade sobre benefícios e restituições.

Primeiro é bom dizer:

Caso ganhe o coxinha-vigilante, herdeiro de ZB e candidato a mister torquemada do MP, o cheque-cidadão deve sim acabar...

Não por pura maldade, ou por vingança, mas por definição e herança ideológica...

O vigilante-coxinha-golpista é de uma raça de gente que acredita que qualquer redistribuição de renda feita por instrumentos de Estado é um favor, não um direito...

Seu pai acreditava na falácia da meritocracia, logo, ele também acredita...

O sintoma principal dessa crença está estampado no pig local, que vem fazendo carga sistemática, junto com os torquemadas do partido do ministério público...

Não se trata de renunciar ao poder de fiscalização da população e dos burocratas que se acham vingadores, mas sim dizer a mais pura e simples verdade:

Subsídios, isenções, e toda sorte de favor fiscal são a tônica da maioria dos governos, e as classes mais ricas são as mais beneficiadas...

O que é a porra do Fundecam afinal? E as gordas isenções e outros mimos logísticos concedidos às empresas?

E não me venham com a chorumela de "incentivo ao desenvolvimento", "empregos" e "impostos indiretos", porque a crise veio e nenhuma dessas empresas significou merda nenhuma para estancar o rombo nas contas municipais, que teve que ser coberto com mais um papagaio dos royalties...

É só ver o timing das notícias:

Primeiro berram como bezerros desmamados, atacando qualquer reforma fiscal no código tributário local, recorrendo a (in)justiça para barrar a necessária correção nos impostos, que justamente poderia diminuir nossa petro-dependência...

Depois, atacam o cheque-cidadão...

E o que é o cheque-cidadão?

Nada mais é que o instituto da restituição de impostos pagos, reconhecendo que são os mais pobres que pagam a maior carga de impostos (diretos e indiretos), e têm os piores serviços...

Se calculado corretamente, o valor dos cheques teria de ser muitíssimo maior...

Claro que nada disso você conseguirá ler ou ter como informação...

O que lhe será passado, inclusive pelo candidato coxinha-vigilante-golpista, é que o cheque é uma forma de aliciamento eleitoral...

Há erros e manipulações? 

Claro, mas diga-me quem é que vota ou apoia alguém que vá contrariar seus interesses?

Ah, o tal do "pensamento do longo prazo", contra outra rapaziada...

O interesse do pobre é fisiologismo, mas do rico é ato cívico e estratégico...

Que sejam corrigidos os erros, mas é hora de acabar com o estigma que recai sobre as populações mais pobres, inclusive por gente muito chique e intelectualizada que anda com o coxinha-´vigilante-golpista...

O discurso correto seria:

Vamos ampliar os cheques, aumentar os valores e cobrar mais impostos de empresários e de moradores dos bairros mais ricos, que têm tudo: segurança, coleta, esgoto, etc, enquanto os pobres são jogados à própria sorte...

Tem até padre (bispo) que resolveu se meter na conversa...Santo zeus...

O que mais me entristece é ver gente que eu considero de esquerda, que tem que defender as políticas de inclusão do governo Lula e Dilma, caindo na conversa fiada dos coxinhas-golpistas locais, que são apresentados como "mudança"...

Bem, de certa forma é "mudança", mas para muito pior...

sábado, 17 de setembro de 2016

Paixão - Kleiton e Kledir





Letra auto-explicativa...

Pobre campista.

Tenho, por vários motivos de ordem pessoal, evitado falar de eleições.

Em linhas gerais, depois do golpe consumado com o afastamento da Presidenta Dilma, deixei de ter interesse por formas de outorga de mandatos.

Creio que basta perguntar a um juiz ou promotor, e algum instituto de quiromancia eleitoral (que gostam de se imaginar "de pesquisa"), e depois, acertado com os interesses da banca e da mídia, decidirmos quem governará municípios, estados e o país, assim como teremos definidos quem serão os parlamentares.

Na planície lamacenta não é diferente...

Muito pelo contrário.

Como contraposição ao continuísmo governista e oposicionista (sim, boa parte dos "adversários" foram paridos no ventre do "monstro"), temos o ovo da serpente...

A encarnação daquilo que vem destruindo esse país de cima a baixo...

O neto do ex-prefeito ZB, filho de ex-vereador racista (aquele que ofendia Lula, recorrendo a velhos estereótipos contra nordestinos), é o mais fiel e acabado exemplo da nossa velha mocidade coxinha...

Trejeitos ensaiados supostamente para dar ideia de algum dinamismo, o rapaz se movimenta na TV como um boneco de posto a agitar braços e balançar a cabeça, diz "modernidade" em 11 de cada 10 palavras, mas portador da mensagem mais hipócrita que há disponível no imaginário e cultura política atuais: 

A moralidade...o chamado combate a corrupção!

Gosta também da fala firme, tipo olho no olho, bem parecido com outro fenômeno que conhecemos, o então caçador de marajás...

Truque manjadíssimo, e de certa forma, eficaz, é verdade.

Do outro lado, o médico bonachão, o cara tranquilo que manterá tudo do jeito que está...

Mentira deslavada...

Não há no horizonte próximo a menor garantia de que as coisas vão estar nos eixos, e o prazo de validade das estripulias financistas do grupo da lapa, tomando dinheiro por receitas que não sabem se virão, é bem curto...

Pobre campista...

Bem, eu gosto de acreditar que o eleitor não é vítima apenas, mas um tipo de cúmplice-vítima...

Nesse pleito, eu vou de Dr Nulo ou de Branco da Silva...

domingo, 11 de setembro de 2016

Mestre Ambrósio - Mestre Ambrósio - 1996 (completo)




A faixa número dois, "Se Zé Limeira Dançasse Maracatu" é um clássico...

"Bota bosta por dinheiro pr'á ver o povo enricar"...

Um dos expoentes da fusão maracatu, coco, embolada com as distorções e batidas de outras paragens...

O som da rabeca é marca registrada...

Dá gosto de ouvi, issiminino...

domingo, 4 de setembro de 2016

Sheik Tosado no Rock In Rio III - 2001 (RARIDADE)





Eis a performance da rapaziada do Recife no Rock'n'Rio III...



"O hardcore brasileiro é o frevo"



"Toda casa tem um pouco de África"...



Como diria Chico Science: "Um passo a frente, e você não está mais no mesmo lugar"...




Sheik Tosado - Som de caráter Urbano e de Salão (COMPLETO)





Recife veio à tona, e da lama brotou muita coisa boa...



O Sheik é uma fusão mais ácida/hardcore e menos dançante que o Chico Science e Nação Zumbi, mas nos deixa estupefactos com a força da mistura e as possibilidades que nunca se esgotam nos cantos de mundo esquecidos por deus...



Uma pena que o Sheik ficou pelo caminho...

sábado, 3 de setembro de 2016

Os babacas do Império...perdendo tempo...

O blog têm revelado uma mudança no perfil de seu tráfego...

Mais de 80% é dos EUA, em sistema operacional Macintosh (mais de 71%), através do Chrome em taxa de 91%...

E adivinhem quais as postagens preferidas, todas que tenham terrorismo como título, ou empreguem palavras-chave no critério de busca desses imbecis:

Segurança, polícia, ruptura e outros temas que sugiram alguma afronta a "ordem vigente"...

Temas como "nazismo" também aparecem nas preferências...

Uiiii, que mêda....

Vão tomar todos no cú, seus filhos da puta...

Elis Regina - Atras da Porta - ao vivo





Indispensável, inesquecível, inenarrável...É só para ouvir...

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Picolé de chuchu-cabrunco...

Picolé de chuchu foi o apelido dado ao médico e governador de SP, Geraldo Alckmin, mas nós também temos nosso equivalente da alcunha-doce que revela o conteúdo de quem o carrega:

Nulidade.

Um dos candidatos a prefeito dessa taba de lama "ameaçou" de tomar posse com uma equipe da "Santa Inquisição" para devassar as contas da prefeitura...

Uai, se é candidato de verdade, se quer o "bem da cidade", e enfim, se tem cojones, considerando que foi íntimo do grupo que agora é rival por anos, por que não começa a dizer o que já sabe?

Por que trocar suas informações por votos, condicionando a devassa à sua vitória? O preço da moralidade pública está condicionado ao seu sucesso eleitoral, como assim?

Com a palavra os órgãos nominados por ele, que salvo juízo contrário, se esperarem pela posse do moço, vão parecer que estão a serviço de um partido e do novo prefeito, e não do interesse público...

Bem, a julgar o que vem acontecendo no cenário nacional, com a partidarização de setores desses órgãos, não seria novidade se refletissem aqui a conexão com grupos políticos, como espelho do Brasil...

Alô pessoal da equipe do candidato: Se não tem o que dizer para inflar pautas e cavar espaço, é melhor ficar quieto...

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Rio 2016: Os ouros de tolos...

É impossível não falar de Olimpíadas...o desafio é escapar às platitudes...

Pois bem, em se tratando de Brasil, e nossas crueis peculariedades, é sempre bom fazer o exercício de pensar, a despeito da vontade de jornalistas de coleira e seus donos, os barões da mídia...

Primeiro detalhe: Salvo as questões ligadas a administração do Eduardo Paes em relação àlgumas ziquiziras dos alojamentos e da comida, a Olimpíada foi um enorme sucesso, um oásis de eficiência brasileira em todos os aspectos...

Mas isso em si já era esperado, e só as bestas desconhecem o fato de que nosso Estado funciona, só depende de quem está atrás da demanda...

Leblon e Pelinca detêm índices de homicídio iguais aos de Berlim, enquanto Guarus e São Gonçalo ostentam números de conflitos africanos...

Voltemos aos jogos:

No caso dos problemas da Vila Olímpica, como sempre, ninguém cobrou das EMPRESAS PRIVADAS concessionárias e terceirizadas as suas responsabilidades, deixando como sempre a manipulada e surrada versão de que a gestão pública não presta, mas o fato é que a mídia comercial esqueceu superfaturamentos, atrasos, filas, etc, em nome do patriotismo canalha de sempre...

E o bocó do Paes foi lá receber canguru...pois é, enfiaram-lhe um canguru na rima...

Nenhuma menção às violências praticadas por forças de segurança em relação às manifestações proibidas, muito menos a comparação de que na Copa 2014, tais manifestações, embora muito mais ofensivas e grotescas, não tivessem recebido o mesmo tratamento...

Eu me perguntava todos os dias: Se Dilma estivesse à frente do governo, como seria a cobertura da mídia?

Bom, depois temos as obviedades esportivas, mas não menos políticas...

Nosso quadro de medalhas é "o retrato da superação"....puta que lhes pariu, não aguento mais ouvir isso...

O quadro de medalhas, embora não tenha correspondido às expectativas do COB, comandado pelo "impoluto Nuzman" (recentemente envolvido em esquemas e desvios junto com sua filha, tudo prontamente perdoado e esquecido) é um reflexo da mobilidade social e econômica recente do país:

Saem as medalhas das modalidades onde atletas têm origem na elite, como os caríssimos e segregacionistas clubes de natação, vela, etc, e entram os atletas patrocinados por programas sociais diretos ou indiretos (com subvenção de isenções fiscais, embora adorem dizer que não recebem dinheiro público). 

Mas tudo isso é jogado na conta apenas da superação pessoal e de uma meritocracia tão impossível quanto cínica...

Por fim temos o futebol...

Teve gente comemorando o passafora de neymar em galvão bueno como algo que merecesse destaque...

Qual nada, briga de comadres em uma relação promíscua que já, já, por força de compromissos financeiros, volta ao normal em uma daquelas entrevistas cheias de lugares-comuns em alguma casa cinematográfica do jogador recebendo o papagaio cretino com intimidade...

Vitória da seleção? Arf...

Que campeonato pode ser comemorado com um time que sofreu para empatar com Iraque, superou a "tradicionalíssima" equipe de Honduras, e jogou com uma sombra alemã formada, talvez, por atletas da quarta ou terceira divisão de lá?

Agora vem o esforço da mídia cretina em cobrir a Paralimpíada, oscilando sempre entre a emoção barata derivada da incomprensão do universo dos atletas paralímpicos, e as teses "de superação" feitas sob encomenda para palestras de treinamento de RH, do tipo: "Viu, se "até" eles conseguem, porque você está aí parado?"

Vão todos tomar no meio do c%!!!!




sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Escola sem partido ou o partido dos que detestam a escola?

Eu tenho lido algo sobre o assunto...e sinceramente tentei reunir alguma tolerância para atender ao chamado do "debate"...

Não dá...

É a mesma coisa de tentar legitimar "um debate" sobre estupro de crianças ou sobre comer cocô...

Individualmente, os cretinos podem até defender uma ou outra coisa, lastreados na lenga-lenga do amplo direito de expressão, e até suponho que tais cretinos gostem mesmo de comer cocô, abandonando a leviana presunção de que todos sejam pedófilos...

Mas "debater" escola sem partido é como debater a existência da lei da gravidade...

O "debate" é falso, porque nunca se pretendeu escola com partido, mas escola que não renuncia a política, porque não há sociedade sem ela...

Engraçado que os mesmos cretinos que se arvoram a debater essa cretinice, nada falam sobre escolas católicas (uai, como assim, escolas religiosas em estado laico, recebendo subvenção fiscal e dinheiro público para funcionar?)

Pois é, é um "debate" impossível, porque é falso...

Eu até poderia falar mais sobre o tema, mas fico com a imagem:

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A língua é o chicote do rabo...

Ditado mais apropriado para o caso não tem...

Deixemos as explicações para quem pode, direto do blog do Nassif:

Data venia, ministra Cármen Lúcia, por Pasquale Cipro Neto

Jornal GGN - A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, ao ser eleita por dez votos para a presidência do Supremo, resolveu subir nas tamanquinhas em questão perfeitamente dispensável: ela ironizou o desejo da presidenta eleita por 54,5 milhões de votos, Dilma Rousseff, em assim ser tratada. A questão rodou as redes sociais, pontuando como sendo de uma grosseria dispensável. A presidente do STF, com seus 10 votos, poderia ter ficado sem esta nódoa em sua primeira ação como chefe dos 12 ministros indicados por presidentes eleitos. 
Pasquale Cipro Neto, em seu artigo de hoje, fala sobre o presidente e a presidenta, explicando aos puros a questão. Leia a seguir.
da Folha
por Pasquale Cipro Neto
Na sessão de 10.ago, o atual presidente do STF disse o seguinte : "Então eu concedo a palavra à eminente ministra Cármen Lúcia, nossa presidenta eleita... Ou presidente?". A resposta da ministra foi esta: "Eu fui estudante e eu sou amante da língua portuguesa, eu acho que o cargo é de presidente, não é não?". 'Data venia', Excelência, o cargo é de presidente ou presidenta.
Essa questão atormenta o país desde que Dilma Rousseff venceu a primeira eleição e disse que queria ser chamada de "presidenta", porque, para ela, a forma feminina acentua a sua condição de mulher, a primeira mulher a presidir o país.
Esse argumento me parece frouxo e um tanto infantil. O que acentua o fato de Dilma ser mulher é justamente o fato de ela ser mulher, mas respeito a escolha dela e os que acham justo esse argumento.
O que não se pode, de jeito nenhum, é ditar "regras" linguísticas totalmente desprovidas de fundamento técnico, mas foi justamente isso o que mais se viu/ouviu/leu desde que Dilma manifestou a sua preferência por "presidenta", forma que não foi inventada por ela.
Na bobajada que se lê na internet, o argumento mais frequente é justamente o da inexistência de "serventa", "adolescenta" etc., como se a língua fosse regida unicamente por processos cartesianos.
Não é, caro leitor. Se assim fosse, não teríamos como fatos consagrados inúmeros casos que nem de longe seguem a lógica. Ou será que no padrão culto se registra algo como "Fulano suicidou"? Pela "lógica", seria essa a forma padrão, mas...
A língua não funciona assim. Um exemplo: às vezes, o falante não tem noção histórica da formação de um termo e acrescenta algo que "ressuscite" o seu sentido literal. É isso que explica, por exemplo, a pronominalização de "suicidar" ("Ele se suicidou", "Tu te suicidarias?"). O verbo não é "suicidar"; é "suicidar-se". Pode procurar no "Houaiss" etc.
A terminação "-nte", que vem do particípio presente latino, forma (em português e em outras línguas) adjetivos e substantivos que indicam a noção de "agente" ("pedinte", "caminhante", "assaltante").
99,9999% desses termos não têm variação; o que varia é o artigo ou outro determinante (o/a viajante, o/a estudante, nosso/nossa comandante), mas é claro que há exceções.
Uma delas é justamente "presidenta", registrada há mais de um século. Na sua edição de 1913, o dicionário de Cândido de Figueiredo registra "presidenta", como "neologismo". Um século depois, esse "neo-" perdeu a razão. A edição de 1939 do "Vocabulário Ortográfico" registra o termo. A última edição de cada um dos nossos mais importantes dicionários e a do "Vocabulário Ortográfico" também registram.
Deve-se tomar muito cuidado quando se usa como argumento o registro num dicionário. Nada de dizer que "a palavra existe porque está no dicionário"; é o contrário, ou seja, a palavra está no dicionário porque existe, porque tem uso em determinado registro linguístico.
Tenho profundo respeito pela ministra Cármen Lúcia, não só pela liturgia do cargo, mas também e sobretudo pela altivez com que o professa. Justamente por isso, ouso dizer que teria sido melhor ela ter dito simplesmente "Prefiro presidente".
Aproveito para lembrar que não tenho feicibúqui, tuíter, instagrã etc., portanto toda a bobajada internética a mim atribuída é falsa. É isso.

Nadadores estadunidenses são tão bonzinhos...

Primeiro é bom dizer: A atuação das equipes de policiais civis foi irrepreensível para desvendar a mentira dos babacas dos EUA.

Dito isso, vamos a vaca fria:

O bordão acima faz sentido para quem tem mais de 40 anos, e conheceu Kate Lira, que pontuava a frase com sotaque macarrônico, num misto de sexismo e preconceito contra mulheres louras (e supostamente burras), e reforçando o mito de que os brasileiros são uma espécie de gatunos adocicados, ou popularmente, malandros violentos, ladinos, mas charmosos...

Poderíamos dizer o mesmo dos cretinos atletas dos EUA, invertendo a lógica...

Mas o certo é que se fez tanto escândalo por nada, ou talvez, porque a mídia não tem o que noticiar, nesses tempos de platitudes olímpicas e repetições ad nauseam de lava-jatos e seus torquemadas...

Turistas, principalmente dos EUA, são incentivados pela nossa subserviência a cagar em nossas cabeças e em nossas frágeis instituições (não confundir com civilidade ou hospitalidade, comum em países que ganham com o turismo, mas que não arriam as calças para cada gringo, ou oferecem as mulheres como o tribos inuits).

Tanto é que temos na Polícia, Delegacias (DEAT e NATE) e Batalhões (BPtur) inteiros dedicados a fazer papel de babá para esses idiotas, enquanto as delegacias do interior e da capital sofrem sem recursos e sem gente para trabalhar...

Em outros países, é delegacia normal, contato com consulado e olhe lá...foda-se você, brasileiro nos EUA ou na Europa...Se reclamar, vai direto no próximo voo de volta  ou para cadeia...

Se fossem brasileiros, e pior, se fossem brasileiros e negros a quebrar instalações em um posto de combustíveis na terra dos coxinhas (Barra da Tijuca), certamente o desfecho seria bem diferente: Tapa na cara dado pelos seguranças do posto onde quebraram utensílios do banheiro e todo rigor policial, onde nem teriam tempo de inventar a historinha do assalto...

Incrível mesmo é assistir que foram ouvidos por uma juíza, meus zeus, temos crimes gravíssimos nas Delegacias a espera de um despacho ou ordem judicial há meses, estancados sob a desculpa (real) do acúmulo de processos...

Uai, os gringos conseguiram o que advogados, partes, e policiais levam horas, meses e anos para conseguir: 
Uma audiência com Vossas Excelências...

Como não existem coincidências, mas sim consequências, dias desses, quando passeava com minha filha pelo Centro do Rio, observei que os VLT traziam na carenagem a marca ALSTOM...

Sim senhor...justamente a fabricante francesa apanhada no esquemão de fraudes de 20 anos do psdb paulista e sua eterna obra do metrô...

Enquanto isso, abutres moralistas, hipócritas e cínicos desmontam, a serviço dos gringos, todas nossas empresas nacionais, privadas e estatais, dando argumentos para sua interdição na disputa por mercados.

Depois reclamam dos maus modos do meninos  de olhos azuis...

Ora bolas, bastava um pedido de desculpas nosso pelo incômodo de desmascará-los e uma súplica para que voltassem sempre a nossa Casa da Mãe Joana...
Ah, e para nos enrabar, dispensem a caminha e o lubrificante...americano é tão bonzinho...

domingo, 14 de agosto de 2016

Didática do golpe: Como o MPF virou partido...

O texto é do Luis Nassif e resume muita coisa que sempre escrevemos por aqui: Como o próprio PT, quando se arrogava de bastião da moralidade, ajudou a alimentar o "monstro" (como define Sepúlveda Pertence, um dos responsáveis pela formatação dos poderes do MP em 1988):

Xadrez de como o PT ajudou o MPF se tornar partido político


1o Movimento – o nascimento do ativismo judicial

A Constituinte de 1988 foi montada em cima de um retrovisor: o regime militar que se encerrava.
A relatoria da Constituinte tinha subcomissões. A do Ministério Público e do Judiciário foi relatada por Plinio de Arruda Sampaio, do PT.  Do lado do MP, recebia assessoria de Álvaro Augusto Ribeiro Costa, Sepúlveda Pertence, Eugenio Aragão, Wagner Gonçalves e Aristides Junqueira, futuro Procurador Geral da República de Itamar Franco.
O Judiciário estava na defensiva. O PT questionou a presidência da Constituinte por Moreira Alves, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e foi apoiado por Ulisses Guimarães;
Mesmo assim, o Judiciário derrotou Plinio impedindo a criação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), derrubando a proposta de mandatos por tempo limitado para Ministros do STF, criando o STJ (Superior Tribunal de Justiça) e diminuindo para 11 o número de Ministros do Supremo.
Em seguida à promulgação, o Judiciário tomou decisão de recepcionar na nova Constituição as demais normas do Poder Judiciário, como a Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), que vinha da época de Geisel.
Ficaram vazios, de leis regulatórias que precisariam ser votadas, porque nenhum partido tinha maioria parlamentar. Foi o caso dos capítulos da Comunicação, Segurança Pública, Reforma Agrária. Para preencher o vácuo, o Judiciário foi interpretando e cada vez mais ocupando o espaço das decisões políticas.
No debate sobre a regulamentação do capítulo da Comunicação, o Supremo, através de ADINs aprovou que concessões de TV não envolviam sinais digitais, só as TVs abertas. Abriu-se uma avenida pelo Ministro das Comunicações Antônio Carlos Magalhães. Só no período Sarney o número de novas concessões foi similar a tudo que foi concedido de 1946 a 1964.
E aí a esquerda começou a chocar o ovo da serpente.
Derrotada nas eleições de 1989, minoria no Congresso, perdia votação e recorria ao Judiciário, através de ADINs (Ação Direta de Inconstitucionalidade). E passou a recorrer a denúncias sistemáticas ao MPF contra adversários políticos.

2o Movimento: o pacto com as corporações públicas

A Constituição foi produto de vários relatórios e projetos.
Ao fim do muro de Berlim e da União Soviética, se somou a crise do ABC, com desemprego trazido pela crise econômica. A base social do PT deslocou-se para o funcionalismo público. E o partido começou a construir pontes com a elite do funcionalismo, Ministério Público, Tribunal de Contas, Polícia Federal, juízes de primeira instância, conferindo-lhes os três Ps: privilégios, prerrogativas e promoção, junto com autonomia funcional e administrativa.
Era um relacionamento em clima de companheirismo total. Daí os relatos de que, antes da Lava Jato, Sérgio Moro era eleitor do PT, assim como Rodrigo Janot.
O mesmo aconteceu com a Polícia Federal. Desaparelhada no período FHC, quando entrou o governo Lula, a PF foi buscar alianças com a esquerda para se aparelhar. Quando Lula foi eleito, a PF queria se responsabilizar até pela segurança presidencial, ocupando o lugar das Forças Armadas.
A partir dessa parceria, o PT adotou várias posições pró-MP e pró-corporações públicas.
Ajudou a derrubar projeto do deputado Paulo Maluf, que penalizava procuradores em ações consideradas ineptas pelo Judiciário – projeto similar ao do atual presidente do Senado Renan Calheiros, visando coibir abusos de poder.
Na Lei Orgânica do MP, os procuradores começaram a pressionar para incluir a ideia da lista tríplice. Era um discurso de fácil assimilação pela esquerda, pelo poder dado à corporação e por ser eleição direta. E essa aliança foi fundamental para consolidar o poder do MPF sobre os demais MPs.
O Ministério Público é composto pelo MPF (Ministério Público Federal), integrado pelos chamados procuradores da República, o da União (os MPs estaduais), o do Trabalho e o Militar. O lobby do MP da República, associado ao PT, possibilitou que a escolha do PGR ocorresse apenas dentro do MPF, o menor de todos. Aliás, Lula vivia se vangloriando de sempre indicar o primeiro da lista tríplice para PGR.
Mais que isso, a Constituição conferiu uma série de competências inéditas ao MP, como o de representar, propor ADINs e "exercer outras funções que lhe forem conferidas por lei, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo vedada a representação judicial e a consultoria".
O lobby do MPF retirou do texto o trecho "que lhe forem conferidas por lei". Com isso, o próprio Ministério Público passou a interpretar o que seriam as outras funções.
Hoje em dia, o PGR tem poder para definir tudo da carreira, arbitrar valor das vantagens devidas aos membros do MP, férias, gratificações. Esse poder criou um vício eleitoral similar ao presidencialismo de coalizão: quem está no poder negocia as vantagens e dificilmente perde eleições.

3o Movimento: dos direitos humanos ao padrão OBAN

A ideia inicial na Constituição era a de que o MP trataria fundamentalmente das questões sociais. Gradativamente, no entanto, a maior parte do MP passou a privilegiar as operações que davam mídia.
Três ações históricas garantiram o prestigio do MP na questão penal:
1. Acre: o trabalho do procurador. Luiz Francisco conseguindo a condenação e prisão do parlamentar que matava a os adversários com motosserra.
2. Espírito Santo, contra o ex-presidente da Assembleia Legislativa José Carlos Gratz.
3. No Rio de Janeiro com o procurador Antônio Carlos Biscaia e a juíza Denise Frossard contra os banqueiros do bicho.
Dali em diante, ganhavam espaço as operações em que a imprensa batia bumbo. Procuradores passaram a fazer media training e a buscar a parceria com repórteres policiais nas suas operações, a se valer dos vazamentos como armas contra a defesa e contra juízes garantistas. Tudo com a contribuição do PT, embarcando na onda das táticas moralistas para provocar investigações contra inimigos do partido.
O Centro de Inteligência do Exército é o único que funciona bem, dentro da máquina pública. Nem todos os coronéis do CIEX passam no funil para se tornarem generais.
Mesmo não tendo poder de investigar, o MPF buscou 13 deles na área de inteligência para assessorar nos grampos, no Guardião, na tecnologia de infiltração e de interrogatório.
Aos poucos, a área penal do MPF passou a incorporar todas as características da OBAN, a Operação Bandeirantes, que marcou o período de maior repressão do governo militar. A OBAN foi responsável por um conjunto de inovações, posteriormente adotada pelo MPF e pela PF.
A primeira delas foi a constituição de forças-tarefas para operações específicas. E toda operação tem que ter uma narrativa, uma marca, uma versão dos fatos que seja verossímil, embora não necessariamente verdadeira, para orientar os trabalhos. Foi assim com a guerrilha, com os dominicanos e no episódio Vladimir Herzog. Herzog morreu porque submetido a torturas para que delatasse suposto conluio do governador Paulo Egydio Martins com o PCB.
A segunda, o princípio básico da guerra revolucionária – bem detalhado pelo jornalista Antônio Carlos Godoy no livro "A Casa de Vovó” -, de que quem prende, quem investiga, quem denuncia e quem julga não podem ter contradições entre si. Tem que haver consenso para impor a versão à mídia e à Justiça. E deve se valer da mídia para espalhar versões ou declarações de arrependimento, dentro do conceito da guerra psicológica adversa.
A Lava Jato recorreu a métodos similares, devidamente aplainados pelos novos tempos: em vez de pau de arara, outras formas de tortura moral, como as prisões preventivas sem prazo para acabar, isolados do mundo e da família.
Não apenas isso.
Criou o conceito do inimigo interno, através da chamada teoria dos fatos, colocando como narrativa central a existência de uma organização criminosa, comandada pelo PT e por Lula, composta de um núcleo dirigente, um núcleo político e um núcleo de operadores.
Foi essa narrativa que permitiu focar as investigações em Lula e PT, deixando de lado o PSDB e outros partidos de fora da base.
Se a narrativa fosse de um conluio de empreiteiras atuando em todos os níveis de poder, as investigações chegariam a Minas Gerais, São Paulo e demais estados. Portanto, a seleção da narrativa não foi aleatória.
Na Força Tarefa há identidade absoluta entre Policiais Federais, procuradores e juiz, atropelando um modelo clássico do liberalismo, segundo o qual quem investiga não denuncia; quem denuncia não julga. Cabe ao procurador fiscalizar o policial e o juiz impedir abusos de ambos. No caso do juiz de instrução acusador, aceito por alguns países, o julgador final precisa ser outro juiz, sem envolvimento direto com o caso.
Prevaleceu o padrão OBAN.

4o Movimento: o pacto eleitoral para a PGR

Cada vez mais, o MPF passou a atuar como partido político, a começar da eleição para PGR.
As eleições para a PGR obedeceram às receitas padrão do presidencialismo de coalizão. Cada candidato atua politicamente, aproximando-se de líderes do governo, de deputados, de senadores e cativando a base. Foi o caso de Janot, levado por Aragão a visitar José Dirceu, mesmo após o julgamento da AP 470, ou oferecendo jantares a José Genoíno em sua casa, comparecendo a jantares com políticos petistas.
Como em todo arranjo político, havia um pacto entre as lideranças do MPF, de ninguém se candidatar à reeleição.
Cláudio Fonteles permaneceu PGR por um mandato. Passou o bastão a Antônio Fernando de Souza. Este pegou a AP 470 pela frente, e pressionou Lula: se não fosse reconduzido poderia parecer que o governo pretendia varrer o mensalão para baixo do tapete. Atropelou o acordo.
Na rodada seguinte, o favorito era Wagner Gonçalves, ex-presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), apoiado por Eugênio Aragão. Foi vetado por Gilmar Mendes, na época presidindo o STF, e inimigo declarado de Wagner e Eugênio. Foi uma das muitas vitórias que Gilmar conseguiu contra Lula, meramente blefando: a outra foi o afastamento de Paulo Lacerda, que liberou o jogo político-partidário na PF.
Restou a Lula indicar Roberto Gurgel que imediatamente transformou a denúncia de Antônio Fernando em representação no STF. E coube o papel de verdugo ao ex-procurador Joaquim Barbosa, do círculo mais próximo dos procuradores progressistas.
Inquéritos volumosos têm muitas razões que os leitores desconhecem ou não conseguem captar. Mas, ali, havia duas informações indesmentíveis:
1.     A AP 470 foi montada totalmente em cima da suposição do desvio de R$ 75 milhões da Visanet.
2.     O desvio não ocorreu.
O estratagema serviu para que o PGR livrasse Daniel Dantas da operação, mesmo dispondo de um laudo técnico da PF mostrando o pagamento prometido de R$ 50 milhões a Marcos Valério sem contrapartida de serviços.
Ao lado o episódio da helicoca, trata-se de um dos grandes mistérios nesses tempos em que se supunha que nenhuma informação ficasse escondida. Não se tratava de um ato unilateral de um PGR, mas de um artifício endossado por várias instâncias.
O MPF passava a atuar como partido político.

5o Movimento: o MPF de Rodrigo Janot

Rodrigo Janot sempre pertenceu ao chamado grupo progressista do Ministério Público. Foi subprocurador de Cláudio Fonteles e candidato a vice de Wagner Gonçalves.
Quando dirigia a Escola Nacional do Ministério Público, montou reuniões periódicas para discutir temas nacionais, das quais eram participantes ativos Eugênio, Wagner, o advogado ativista Luiz Moreira, Álvaro Ribeiro da Costa, para o qual eram convidados dirigentes petistas de maior preparo, como José Genoíno. Nesses encontros, discutia-se de nanotecnologia ao papel das Forças Armadas.
Em todo esse período, Janot preparou-se para ser PGR. Valeu-se para tal do estreito conhecimento que tinha da máquina do MPF, como segundo de Fonteles e presidente da ANPR.
Nas eleições, atropelou duas procuradores símbolos do MPF, Ela Wiecko e Deborah Duprat – a quem acusou de ser ligada a José Serra. Computados os votos de todos os Ministérios Públicos, Deborah foi a mais votada. Mas Janot foi o mais votado dentre os procuradores da República.
A esta altura, um novo fenômeno alterava a natureza do MPF, com a ampliação dos quadros e o advento da era dos concurseiros, jovens preparados, com recursos para se dedicar por anos para se preparar para os concursos, não necessariamente com vocação pública, mas encantados pela possibilidade de altos salários iniciais e do poder de “autoridade”.
É nesse momento que Janot passa por uma um processo de conversão ao status quo. Percebendo os novos tempos, foca sua campanha eleitoral em temas de gestão e de atendimento às demandas corporativas da classe. E dando-se conta dos impactos da AP 470 sobre a classe e sobre a opinião pública, preparou-se para transformar a Lava Jato no passaporte final do MPF para o centro do poder.
Reconduzido ao cargo por Dilma, uma de suas primeiras atitudes foi abrir uma ação contra ela, em um gesto considerado desleal por seus antigos companheiros.
Respondeu a uma fala de Lula – em uma escuta ilegalmente divulgada – afirmando que devia tudo ao concurso público e não a ele, Lula. A declaração era inoportuna, visto que respondendo a uma conversa informal ilegalmente divulgada. Mas mostrava que Janot já vestira o avental asséptico do concurso público para se alinhar com a nova clientela, mesmo tendo pavimentado sua carreira na PGR por confabulações políticas de praxe.
Só após muita pressão dos amigos ousou avançar sobre Aécio Neves, o filho dileto do status quo.
Teve papel central na deposição de uma presidente eleita e na condução ao centro de poder de figuras do naipe de Michel Temer, Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima e Moreira Franco. E sua agenda continua em sintonia com a agenda política, ampliando a ofensiva contra o antigo governo sempre que se aproximam datas relevantes, como o da votação do impeachment.

6o Movimento - Próximos passos

Hoje em dia, em que pesem tantos bravos procuradores de direitos da cidadania, o MPF tornou-se peça central no desmonte do estado de bem-estar social.
Desde o início da crise política, sabia-se que não se tratava apenas da disputa entre uma presidente atabalhoada e políticos barras-pesadas, mas de concepções de Estado.
Bem antes da votação do impeachment se sabia que o novo governo entraria ungido pela promessa de limitar as despesas públicas, definindo limites nominais para gastos voltados para os interesses difusos, saúde, educação, sem definir limites para os gastos com juros. Para um leigo, parece medida disciplinadora de gastos. Para quem é do ramo, significará o desmonte do SUS e do sistema educacional público.
Derrubada Dilma, a primeira atitude da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) foi procurar o interino, não para garantir a manutenção dos direitos sociais, mas para assegurar vantagens corporativas já prometidas.
Hoje em dia, o MPF atua como verdadeiro partido político, com assessoria de imprensa, estratégias de marketing, iniciativas parlamentares, discursos políticos, parceria com a mídia e ações sincronizadas com movimentos da política. Como tal, monta alianças, joga de olho na opinião pública, sujeita-se às pressões da mídia. Da mesma maneira que um partido convencional.
Deborah, Ela, Eugênio, Fonteles, Álvaro Augusto, Eugênia, e outros procuradores símbolos de um Ministério Público que não mais há. O atual MPF, do dr. Janot, tornou-se peça central do maior ataque aos direitos sociais desde o regime militar. E poderá se tornar o coveiro da democracia.
No âmbito do governo Temer há um movimento nítido de devolver às Forças Armadas o papel de gendarme. A segurança nas Olimpíadas ficou sob as ordens do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), do general Sérgio Etchgoyen. Não apenas isso. Ele passa a comandar também o Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência), que tem sob seu guarda-chuva as áreas de fiscalização da Receita, Banco Central, Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Terá, ao alcance do seu computador, a ficha de qualquer cidadão brasileiro com registro civil.
Conseguirá dispor de um poder de intimidação similar ao aparato do qual se vale hoje em dia o PGR.
No entanto, nos próximos meses, haverá um movimento similar ao que marcou o fim da guerrilha.
Inicialmente, havia uma coesão dentre todos os aparelhos de repressão contra o inimigo comum, a guerrilha. Vencida a guerra, observou-se uma luta intestina dentre eles. Prisioneiros de um aparelho eram ameaçados de tortura se passassem informações quando interrogados por outros aparelhos.
Consumada a vitória final sobre Lula e o PT, provavelmente haverá embates similares entre PF e MPF, entre GSI e Forças Armadas.
O país de hoje não se assemelha ao do início da ditadura. Mas há no ar as mesmas jogadas oportunistas em cima do vácuo político que marcou a agonia do regime militar.
Por enquanto, a melhor tradução da PGR é a imensa catedral brasiliense onde está alojada a sua sede, redonda, permitindo a todos se verem internamente. Mas de vidros indevassáveis, que permitem enxergar tudo o que ocorre lá fora; mas impedem que se veja de fora o que acontece lá dentro.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Chico Buarque e Zizi Possi - Pedaço de Mim (com legenda)





Palavra que só tem lugar em nossa língua, mas que dói em qualquer canto do planeta...